Às vésperas de registrar a candidatura à reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia não comparecer aos debates televisivos do primeiro turno, repetindo a estratégia adotada em 2006. A possibilidade provoca discussões internas no Partido dos Trabalhadores.
Aliados que defendem a ausência argumentam que Lula, único nome claramente identificado com a esquerda, enfrentaria ataques simultâneos de diversos adversários de direita. Entre os pré-candidatos citados estão Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão).
Outra ala do PT, porém, sustenta que o presidente deve participar dos confrontos, sobretudo para encarar diretamente Flávio Bolsonaro, considerado o principal rival neste ciclo eleitoral.
Regras de convite às emissoras
Pelas normas vigentes, emissoras de TV são obrigadas a chamar postulantes de partidos com pelo menos cinco representantes no Congresso. Decisão do Supremo Tribunal Federal determina que o critério leve em conta a composição eleita em 2022, ignorando trocas partidárias posteriores. Dessa forma, além de Lula e Flávio Bolsonaro, teriam presença garantida nomes como Ronaldo Caiado e Augusto Cury (Avante).
Precedentes de campanhas vitoriosas sem debates
A decisão de evitar confrontos televisivos durante a busca por um novo mandato não seria inédita. Em 1998, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) pulou todos os debates e venceu no primeiro turno. O próprio Lula adotou tática semelhante em 2006, quando liderava as pesquisas contra Geraldo Alckmin (então no PSDB).
Calendário em aberto
A primeira prova da estratégia será o debate da Band, marcado para 16 de agosto. Na mesma data, o PT planeja lançar oficialmente a candidatura de Lula no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP). A partida de futebol que ocorreria no local deve ser antecipada para liberar o espaço ao evento político.
Integrantes do partido admitem ajustar a agenda caso o presidente decida comparecer ao encontro televisivo, mas, por ora, a programação do lançamento da campanha permanece inalterada. A decisão final sobre os debates, segundo aliados, deverá levar em conta o desempenho dos adversários e o tom dos ataques nas primeiras semanas de campanha.
Com informações de Direita Online