O Conselho Interdenominacional dos Ministros Evangélicos do Brasil (CIMEB), que representa mais de 10 mil pastores de diversas denominações, divulgou uma nota de repúdio em resposta à disseminação de uma fake news relacionada a Nossa Senhora Aparecida e à campanha presidencial de 2026.
A declaração, assinada por 14 líderes evangélicos, surge após a circulação de informações nas redes sociais que insinuam que o candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), estaria promovendo uma ação para retirar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. Reportagens de veículos respeitados confirmam que essa informação é falsa e não existe projeto de Bolsonaro nesse sentido.
A nota do CIMEB critica a utilização dessa desinformação por parte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus apoiadores como uma ferramenta para desacreditar um adversário político, alertando para o potencial de criar conflitos entre católicos e evangélicos. “Evangélicos e católicos vivem em harmonia. Não há qualquer movimento de líderes evangélicos ou de candidatos com o intuito de cancelar feriados ou cultos de qualquer religião”, enfatiza o comunicado.
O polêmico assunto ganhou destaque na quinta-feira (24) após uma reportagem da GloboNews, que mencionou uma suposta movimentação evangélica para alterar a condição de Nossa Senhora Aparecida. Posteriormente, a emissora reconheceu o erro e fez uma correção pública, esclarecendo que a proposta em questão era antiga e não tinha relação com a atual candidatura de Bolsonaro.
A proposta citada, PL 2.623/2007, foi apresentada pelo então deputado federal Professor Victório Galli (PMDB-MT) e visava alterar a Lei 6.802/1980, substituindo o termo “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”, mantendo o feriado nacional de 12 de outubro. Essa proposta foi arquivada em 22 de agosto de 2008 e não tem ligação com Flávio Bolsonaro.
Apesar da correção feita pela GloboNews, a fake news se espalhou rapidamente nas redes sociais, levando a uma série de reações políticas. A primeira-dama Janja Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin se pronunciaram sobre o assunto, reforçando a proteção das tradições religiosas durante o governo.
Enquanto isso, Flávio Bolsonaro negou qualquer intenção de mudar o título de Nossa Senhora Aparecida, alegando que a informação estava sendo usada de forma maliciosa contra sua candidatura. A Folha de S.Paulo classificou a alegação como falsa e destacou que o episódio foi explorado por adversários políticos.
A questão chegou ao Judiciário, com decisões divergentes. O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a remoção de postagens que propagavam a falsa informação, considerando-a “notoriamente inverídica”. Contudo, a decisão foi contestada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou que a postagem em questão não mencionava diretamente Bolsonaro e não justificava a restrição à liberdade de expressão.
A situação ainda deve ter novos desdobramentos no âmbito judicial, com a campanha de Flávio Bolsonaro buscando a suspensão da decisão de Dino, argumentando que cabe à Justiça Eleitoral avaliar a disseminação de desinformação que possa impactar o processo eleitoral.
Fonte: Guiame.










