O Ministério das Relações Exteriores do Brasil divulgou nota oficial na noite de segunda-feira (22) expressando “preocupação” com a decisão do presidente nicaraguense Daniel Ortega de encerrar o processo eleitoral no país. O posicionamento ocorreu quatro dias depois do anúncio feito em Manágua, durante a celebração do 45º aniversário da Revolução Sandinista.
O que Ortega declarou
Em discurso no último 18 de julho, Ortega afirmou que a Nicarágua “não voltará a realizar eleições”, encerrando formalmente a democracia representativa no país. O comunicado veio após anos de perseguição a opositores, líderes religiosos e partidos políticos, além da prisão de adversários do regime.
Resposta brasileira
No texto de três parágrafos, o Itamaraty reafirma o “compromisso histórico do Brasil com a democracia” e apela para que “as autoridades nicaraguenses garantam o direito ao voto livre de todos os cidadãos”. A nota, porém, não utiliza termos como “condenação” ou “repúdio” à medida tomada por Ortega, limitando-se a solicitar a restauração do processo eleitoral.
Comparação com outros países
Nações como Estados Unidos, Panamá, Costa Rica e Guatemala publicaram declarações mais duras contra a decisão do governo nicaraguense. O Panamá chegou a rebaixar o nível das relações diplomáticas, chamando seu embaixador de volta a Cidade do Panamá. A Organização das Nações Unidas também denunciou a supressão do Estado de Direito na Nicarágua.
Críticas de especialistas
Analistas políticos ouvidos por veículos de imprensa apontam que o intervalo de quatro dias para a manifestação brasileira sinaliza hesitação da diplomacia nacional diante de regimes autoritários. Eles destacam ainda que a ausência de termos jurídicos fortes na nota diminui o peso do posicionamento do Brasil no cenário internacional.
Contexto das relações Brasil–Nicarágua
Desde 2024, quando Manágua expulsou o embaixador brasileiro, as relações bilaterais atravessam período de tensão. Apesar disso, o governo Lula evitou apoiar resoluções da ONU que apontavam violações de direitos humanos cometidas pela gestão Ortega-Murillo, mantendo um tom cauteloso em declarações públicas.
Até o momento, não houve mudança no status diplomático entre Brasília e Manágua, e a Embaixada da Nicarágua no Brasil segue em operação normal.
Com informações de Gazeta do Povo