O governo venezuelano informou na quinta-feira (25) que recorrerá a um fundo de US$ 200 milhões guardado no Fundo Monetário Internacional (FMI) para custear as primeiras ações de socorro às regiões afetadas pelos terremotos que sacudiram o país nesta semana.
Além desse montante, Caracas contará com US$ 150 milhões em assistência anunciada pelos Estados Unidos. Mesmo assim, o valor ainda está longe de cobrir o impacto econômico estimado pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), que calcula as perdas entre US$ 10 bilhões e US$ 100 bilhões.
Desastre econômico prévio amplia desafio
O estrago provocado pelos tremores se soma à já delicada situação financeira deixada por mais de duas décadas de chavismo. Dados do Banco Mundial mostram que o Produto Interno Bruto (PIB) venezuelano despencou de US$ 393 bilhões em 2010 para menos de US$ 120 bilhões em 2024.
Uma reportagem do Financial Times publicada nesta semana revelou que a dívida do país atinge US$ 240 bilhões, cifra superior às projeções usadas por analistas. Segundo o diário, a presidente interina, Delcy Rodríguez, pretende fechar um acordo com credores até o fim do ano para tentar reabrir as portas do mercado internacional.
Sanções suspensas e petróleo em alta
Um alívio recente veio com a suspensão de sanções dos Estados Unidos após a captura do então presidente Nicolás Maduro por militares norte-americanos em Caracas, em janeiro. A medida permitiu o retorno de empresas estrangeiras de petróleo ao país.
O Banco Central da Venezuela divulgou que, no primeiro trimestre, a receita com exportação de petróleo alcançou US$ 5,49 bilhões, avanço de 21,5% em relação ao mesmo período de 2025. Apesar da melhora, especialistas alertam que a recuperação deverá ser longa e custosa, agora agravada pelos danos causados pelos terremotos.
Com informações de Gazeta do Povo