Egito, 21 mai. 2026 – Um estudo publicado em março na revista Nature propõe um sistema de rampas internas embutidas na própria pirâmide para explicar como os egípcios ergueram a Grande Pirâmide de Gizé há mais de 4 mil anos.
A pesquisa é assinada pelo engenheiro espanhol Vicente Luis Rosell Roig, que desenvolveu um modelo computacional detalhando cada etapa da construção. A nova hipótese, batizada de IER (Integrated Edge-Ramp), descreve corredores em espiral de aproximadamente 3,8 metros de largura deixados nas bordas de cada nível da pirâmide. À medida que a obra avançava, esses espaços serviam de rampa para o transporte dos blocos e, depois de usados, eram fechados com pedra, desaparecendo sem deixar vestígios externos.
Transporte dos blocos
Segundo o modelo, blocos calcários de cerca de 2,3 toneladas eram puxados sobre trenós em areia umedecida, o que reduzia o atrito. Cada peça era deslocada por equipes de até 32 trabalhadores por uma inclinação média de 7 graus, utilizando cordas, alavancas e postes de madeira – sem o auxílio de rodas ou metais.
Para cumprir o provável prazo de 20 a 27 anos – intervalo equivalente ao reinado do faraó Quéops, iniciado por volta de 2.560 a.C. – o sistema previa até 16 rampas operando simultaneamente nos primeiros estágios da construção, número que diminuía progressivamente até restar apenas uma no topo.
Indícios dentro da pirâmide
Rosell Roig aponta que cavidades detectadas por muografia na Grande Pirâmide podem corresponder a trechos das rampas nunca totalmente preenchidos. A verificação direta desses vazios estruturais, diz o autor, pode confirmar ou refutar a teoria.
Debate permanece aberto
Outros modelos seguem em discussão, como grandes rampas externas retas ou sistemas que combinam diferentes tecnologias de elevação. A principal dificuldade das teorias tradicionais está no tamanho que essas estruturas alcançariam para manter inclinações viáveis.
Apesar das divergências, há consenso de que a pirâmide foi construída por equipes de trabalhadores especializados, não por escravos. O estudo de Rosell Roig apresenta, pela primeira vez, um código aberto que integra geometria, logística e análise estrutural, permitindo que outros pesquisadores testem a proposta.
Se futuros exames confirmarem marcas de desgaste ou formatos internos compatíveis com o modelo IER, a arqueologia poderá avançar na resolução de um dos maiores enigmas da engenharia antiga.
Com informações de Gazeta do Povo