Dois depoimentos de católicos homossexuais anexados a documentos do Sínodo dos Bispos sobre a Sinodalidade vêm sendo divulgados como se representassem uma nova norma do Vaticano contra as chamadas “terapias de conversão”. Embora façam parte do processo oficial de escuta iniciado pelo Papa Francisco em 2023, os textos não têm caráter normativo nem definem mudanças na doutrina da Igreja.
O que dizem os testemunhos
Os relatos, inseridos como anexo do relatório final do grupo de trabalho 9 (“Critérios Teológicos e Metodológicos Sinodais para o Discernimento Compartilhado sobre Questões Doutrinais, Pastorais e Éticas Emergentes”), são de dois homens homossexuais — um de Portugal e outro dos Estados Unidos. Entre outros pontos, um deles critica as terapias de conversão, que chama de “ataque à criação sensível e irrepreensível de Deus”.
Etapa consultiva, não decisória
O Sínodo dos Bispos sobre a Sinodalidade tem natureza exclusivamente consultiva. As discussões servem de subsídio para que o Papa Leão XIV, responsável pela decisão final, avalie possíveis orientações pastorais. Portanto, os depoimentos não representam posição oficial do magistério nem indicam alteração dos ensinamentos católicos sobre homossexualidade.
Relatório final sem conclusões doutrinais
Na parte conclusiva da etapa sinodal, o tema da homossexualidade aparece apenas como proposta de exercício de discernimento. O documento esclarece que não pretende emitir declaração definitiva, mas oferecer elementos para a continuidade da escuta dentro das comunidades.
Posição recente do Papa
Em 23 de abril de 2026, o Papa Leão XIV reiterou que não apoia a bênção formal a casais homossexuais nem a uniões consideradas irregulares pela doutrina. A mesma linha foi seguida por Leão XVI em entrevista de setembro de 2025, na qual destacou que a família, segundo o ensinamento católico, é formada por homem e mulher, embora a Igreja acolha e abençoe indivíduos.
Assim, os testemunhos divulgados integram apenas a fase de consulta do Sínodo e não significam mudança imediata ou oficial na doutrina da Igreja Católica.
Com informações de Gazeta do Povo