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Pesquisadores resgatam 42 páginas desaparecidas de manuscrito grego do Novo Testamento

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Uma equipe da Universidade de Glasgow, na Escócia, anunciou a recuperação digital de 42 páginas consideradas perdidas do Codex H, uma cópia grega do século VI que contém as Cartas de São Paulo. O resultado foi divulgado pela instituição nesta terça-feira (28).

De acordo com os responsáveis pelo estudo, o Codex H foi originalmente um volume completo, mas acabou desmontado no século XIII no Mosteiro Great Lavra, no Monte Athos, na Grécia. Na época, o pergaminho era reaproveitado para confeccionar novas obras, fazendo com que suas folhas servissem de capas, reforços de encadernação ou folhas de guarda em outros livros.

Atualmente, fragmentos físicos do manuscrito estão espalhados por bibliotecas de Itália, Grécia, Rússia, Ucrânia e França. A equipe liderada pelo professor Garrick Allen analisou esses pedaços preservados e, com tecnologia de imagem multiespectral, conseguiu restaurar digitalmente o texto ausente.

O método detecta vestígios de tinta invisíveis a olho nu. Segundo Allen, reaplicações de tinta feitas em séculos posteriores deixaram “impressões fantasma” do conteúdo original em páginas vizinhas. Ao processar essas marcas, os cientistas reconstruíram passagens que não existiam mais fisicamente. Pesquisadores em Paris contribuíram com testes de datação por carbono para confirmar a idade dos fragmentos.

Embora o material reconstituído traga seções já conhecidas das cartas paulinas, a descoberta oferece novos dados sobre a forma como os textos cristãos eram copiados, organizados e lidos nos primeiros séculos. Entre os destaques estão listas de capítulos consideradas das mais antigas já identificadas, além de correções de escribas, anotações marginais e sinais de uso litúrgico.

Os pesquisadores afirmam que a recuperação ajuda a mapear a trajetória de circulação e modificação dos manuscritos bíblicos ao longo da Idade Média.

Com informações de Gazeta do Povo