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Em vigília em Barcelona, Papa Leão XIV oferece conselho sobre depressão, suicídio e perdão

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O Papa Leão XIV dialogou com jovens sobre saúde mental e perdão durante uma vigília realizada na noite de terça-feira, 9 de junho, em Barcelona. Frente a três perguntas profundas, o pontífice abordou temas como propósito de vida, tentativas de suicídio e traumas familiares, mantendo o tom de esperança e acolhida.

Propósito e busca pela felicidade

Questionado sobre como encontrar sentido em meio a pressões acadêmicas e profissionais, Leão XIV definiu o anseio pela felicidade como “dom de Deus” e lembrou que o ser humano “foi feito para o infinito”. Ele criticou a ênfase excessiva em lucro, desempenho e imagem pessoal, classificando-a como “anestésico” que cega para as necessidades alheias e injustiças sociais. Entre as recomendações, destacou momentos de silêncio, leitura diária do Evangelho e participação em comunidades religiosas.

Depressão e risco de suicídio

Ao ouvir o relato de uma professora que tentou tirar a própria vida, o Papa alertou que a saúde mental está ameaçada por expectativas irreais impostas pela sociedade moderna. Afirmou que Deus não deseja o sofrimento, mas permanece ao lado de quem sofre. O pontífice exortou a nunca enfrentar a dor sozinho, sugerindo a procura de “companhias discretas” que ajudem a atravessar períodos de escuridão.

Onde encontrar Deus na dor

Leão XIV recorreu ao símbolo da cruz para enfatizar que Deus não abandona quem passa por aflições profundas, permanecendo “crucificado” junto a cada pessoa. Segundo ele, o momento em que o silêncio de Deus parece mais intenso é justamente a hora de confiar-Lhe os próprios fardos. O Papa condenou tentativas de minimizar o sofrimento com explicações religiosas simplistas.

Perdão após agressões e traumas

Sobre a possibilidade de perdoar agressões graves, o pontífice definiu o perdão como “caminho de passos pequenos”, não um gesto imediato. Observou que, se encarado como obrigação, o Evangelho pode gerar frustração em quem se sente incapaz de perdoar. Acrescentou que perdoar não implica retomar convivência com o agressor, mas rejeitar ódio e vingança, pedindo a Deus que transforme o ressentimento em compaixão.

Responsabilidade humana pela violência

Indagado sobre abusos na infância, Leão XIV afirmou que a humanidade recebeu inteligência e liberdade, sendo, portanto, responsável pelas próprias escolhas. Ele rejeitou atribuir a Deus atos violentos, atribuindo-os a dinâmicas sociais marcadas por individualismo e falta de solidariedade.

O encontro fez parte da agenda do pontífice na Espanha e reuniu centenas de fiéis na capital catalã.

Com informações de Gazeta do Povo