Caracas – A principal coalizão opositora da Venezuela, a Plataforma Unitária Democrática (PUD), apresentou em 12 de abril um plano de transição política que prevê eleições livres ao final de três etapas, mas não há sinal de quando o país poderá voltar às urnas. O governo interino comandado pela chavista Delcy Rodríguez evita fixar calendário, enquanto os Estados Unidos pedem paciência para que o processo avance.
O plano de transição
Elaborado com apoio de mais de 30 mil ativistas, o roteiro prevê:
• estabilização política;
• recuperação econômica;
• reconciliação nacional, culminando em eleições.
A líder opositora María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, participou virtualmente do lançamento e declarou que “a sociedade venezuelana está pronta para avançar rumo à democracia”. Ela prometeu retornar ao país, mas não indicou data.
Entre as condições mínimas listadas pela PUD para reconhecer um pleito como legítimo estão a formação de um novo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) independente, libertação de presos políticos, fim das inabilitações a opositores, retorno seguro de exilados e ampla observação internacional (União Europeia, OEA e Centro Carter).
Maioria quer votar ainda em 2026
Levantamento da consultoria Poder & Estrategia, realizado de 23 a 29 de março com 1.040 entrevistas presenciais, indica que 64% dos venezuelanos defendem eleições presidenciais ainda este ano. Apenas 13% aceitariam adiar o pleito para 2027 e 16% não opinaram.
Resistência chavista
Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional e irmão de Delcy, reconheceu ao jornal El País que “não é possível dizer quando haverá eleições” e condicionou qualquer avanço a um acordo amplo sobre a composição do CNE. A própria Delcy Rodríguez declarou em fevereiro que só convocará votação “livre e justa” após o fim das sanções internacionais e do que chamou de “assédio da imprensa”.
Circula na imprensa local que o Tribunal Supremo de Justiça deverá prorrogar o mandato interino de Delcy, argumentando “ausência temporária” do presidente Nicolás Maduro, capturado por forças americanas em janeiro. A oposição rebate, lembrando que a Constituição limita a ausência temporária a 90 dias e exige eleição em até 30 dias após esse prazo.
Preparação para candidatura
A agência EFE revelou que Delcy Rodríguez registrou, em 14 de abril, um advogado nos Estados Unidos para assessorá-la, entre outras funções, em sua “futura campanha política” à Presidência da Venezuela.
Washington prega paciência
Após encontro em Washington com María Corina Machado, o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio reiterou apoio a eleições livres, mas pediu paciência. Ele destacou avanços como a libertação de parte dos presos políticos e reformas que reabrem os setores de petróleo e mineração a investidores dos EUA.
Para o professor de Direito Internacional Dilermando Martins, da Universidade Positivo, o chavismo aposta em “prolongar o comando” e usa o Judiciário para legitimar a permanência no poder. Segundo ele, uma pressão mais dura de Washington poderia acelerar o calendário, “mas não cabe aos EUA determinar eleições em Estado soberano”.
Enquanto oposição, governo interino e Washington discutem prazos, a expectativa majoritária da população continua sendo a realização de novas eleições ainda em 2026.
Com informações de Gazeta do Povo