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Nascimento de Tiwhiri marca primeira reprodução de kākāpō em quatro anos na Nova Zelândia

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Wellington (NZ), 11 mai. 2026 – Um filhote de kākāpō, papagaio neozelandês classificado como criticamente ameaçado, nasceu em 14 de fevereiro e quebrou um jejum reprodutivo de quatro anos da espécie. Batizado de Tiwhiri, o recém-nascido amplia para cerca de 230 o número total de exemplares conhecidos.

A ave veio ao mundo na Ilha Âncora de Pukenui, área livre de predadores monitorada pelo Departamento de Conservação da Nova Zelândia (DOC). Câmeras instaladas nos ninhos transmitiram o momento em tempo real, estratégia que também estimula doações e conscientiza o público sobre a situação da espécie.

Reprodução lenta e acompanhada de perto

O kākāpō é noturno, não voa e só se reproduz a cada dois a quatro anos, geralmente quando há frutificação abundante de árvores nativas como o rimu (Dacrydium cupressinum). Mesmo assim, o sucesso é limitado: nesta temporada foram encontrados 187 ovos, mas apenas 74 férteis, e nem todos chegam à fase de emplumação.

Para aumentar as chances de sobrevivência e preservar a diversidade genética, especialistas realizam manejo intensivo. O ovo de Tiwhiri foi transferido do ninho da mãe biológica — que já abrigava quatro ovos viáveis — para o de Yasmin, fêmea sem postura própria nesta estação. O DOC prioriza ovos e filhotes com menor representatividade genética ao decidir quais serão realocados.

Monitoramento individual

Dos 236 kākāpō adultos vivos acompanhados pelo DOC, cada um carrega um pequeno transmissor nas costas, permitindo rastreamento constante. A iniciativa faz parte do Programa de Recuperação do Kākāpō, criado em 1995. Na década de 1970 restavam apenas 50 exemplares; desde então, intervenções como ilhas livres de predadores e reprodução assistida têm feito a população crescer de forma gradual.

Ciclo de vida peculiar

Após o acasalamento, o macho não participa dos cuidados com os filhotes. A fêmea pode colocar até cinco ovos em três dias; a incubação leva cerca de um mês. Com plumagem verde, olhos frontais e bico cinza, o kākāpō é mais pesado que a maioria dos papagaios e pode viver até 100 anos.

A chegada de Tiwhiri renova o otimismo dos conservacionistas, que seguem concentrados em garantir alimento suficiente, evitar consanguinidade e afastar predadores para que mais filhotes possam reforçar a população da espécie.

Com informações de Gazeta do Povo