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Bispo emérito é detido por horas na Nicarágua após missa que denunciou perseguição religiosa

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Autoridades do regime de Daniel Ortega prenderam por algumas horas o bispo emérito Juan Abelardo Mata, 80 anos, depois de ele celebrar uma missa em que pediu orações pela Igreja Católica perseguida e por sacerdotes expulsos do país.

A detenção ocorreu na segunda-feira, 29 de junho, em Estelí, cidade no norte da Nicarágua. Segundo a imprensa local, Mata foi abordado por policiais enquanto estava em uma clínica. Após algumas horas, foi conduzido de volta à sua residência em Tisma, no departamento de Masaya.

Na véspera, domingo, 28 de junho, o religioso oficiou uma missa na igreja Cruz do Calvário, em Estelí. Durante a celebração, solicitou que os fiéis rezassem pela “Igreja perseguida” e citou nominalmente o bispo Rolando Álvarez, atualmente exilado, e o padre Frutos Constantino Valle Salmerón, ambos expulsos do país.

Fontes ligadas à Igreja Católica informaram que os agentes justificaram a abordagem afirmando que o bispo era alvo de “investigação”. Até o momento, a Polícia Nacional da Nicarágua não apresentou explicação oficial nem confirmou a existência de processo judicial contra Mata.

A ação se soma a uma série de medidas contra líderes religiosos no país. De acordo com o relatório Fé sob fogo, produzido pela ONG Coletivo Nicarágua Nunca Mais, ao menos 261 religiosos foram expulsos nos últimos anos, entre eles o presidente da Conferência Episcopal, dom Carlos Herrera.

As tensões entre Manágua e o Vaticano permanecem altas. Em 2023, o papa Francisco classificou o governo de Ortega como “ditadura grosseira” após a condenação do bispo Rolando Álvarez a mais de 26 anos de prisão por traição à pátria. Álvarez foi posteriormente libertado, expulso do país e perdeu a nacionalidade nicaraguense. O regime também dissolveu a Companhia de Jesus e já chamou a Igreja de “máfia” e “antidemocrática”.

Com informações de Gazeta do Povo