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Irã fortalece aparato militar e recorre a Moscou e Pequim diante de escalada com EUA

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Teerã – Com os Estados Unidos mobilizando o maior contingente militar no Oriente Médio em mais de duas décadas, o Irã intensifica manobras de defesa, reformula a cúpula do regime e negocia novos sistemas de armas com Rússia e China para enfrentar a possibilidade de um confronto armado.

Exercícios em solo e no mar

Nesta terça-feira, 24 de fevereiro, a Guarda Revolucionária realizou extensos exercícios no sul do país e em ilhas do Golfo Pérsico, empregando mísseis, artilharia, drones, forças especiais e veículos blindados, conforme a TV estatal. Na semana anterior, militares iranianos treinaram ao lado de tropas russas no Golfo de Omã, ampliando a cooperação com um de seus principais aliados.

Negociações de armamentos

Paralelamente aos exercícios, Teerã busca reforçar o arsenal. Segundo a agência Reuters, o governo está próximo de fechar um acordo com Pequim para adquirir mísseis de cruzeiro antinavio supersônicos CM-302. Já o Financial Times revelou um pacto sigiloso com Moscou para a compra de cerca de 500 sistemas portáteis de defesa aérea Verba e 2.500 mísseis, avaliados em 500 milhões de euros.

Diálogo difícil com Washington

As conversas com os Estados Unidos avançam lentamente. O principal negociador iraniano, Abbas Araghchi, afirma que as delegações concordaram em “princípios orientadores”, mas o vice-presidente norte-americano, J.D. Vance, sustenta que Teerã ainda resiste às exigências fixadas pelo presidente Donald Trump: rever o programa nuclear, interromper a produção de mísseis balísticos e cessar o apoio a grupos militantes na região. Trump deu prazo de duas semanas — que expira na próxima — para um posicionamento definitivo do Irã.

Reorganização interna

Dentro do país, o Conselho Supremo de Segurança Nacional, liderado por Ali Larijani, assumiu a linha de frente da crise após delegação do aiatolá Ali Khamenei. Foi criado ainda o Conselho de Defesa, destinado a tempos de guerra, sob comando do veterano Ali Shamkhani, ex-chefe da Guarda Revolucionária Islâmica.

Analistas do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) identificam uma redistribuição de poder entre linhas-duras, moderados e pragmáticos. Para Vali Nasr, da Universidade Johns Hopkins, Khamenei prepara o aparato estatal tanto para uma sucessão quanto para um eventual conflito.

Reposicionamento de mísseis

Fontes militares disseram ao New York Times que Teerã deslocou lançadores de mísseis balísticos para a fronteira oeste, atingindo alvos em Israel, e para a costa sul, mirando bases norte-americanas no Golfo. Reparos em bases aéreas e instalações de mísseis danificadas por ataques israelenses seguem em ritmo acelerado.

Ameaças de retaliação

Autoridades iranianas reiteram que qualquer ataque dos EUA provocará resposta ampla, envolvendo aliados regionais de Washington, como Israel. O colunista militar Paulo Roberto da Silva Gomes Filho, da Gazeta do Povo, avalia que baixas imprevistas entre forças americanas podem desencadear conflito regional de maior escala.

Com informações de Gazeta do Povo