Budapeste, 15 de abril de 2026 – O líder do partido Tisza e primeiro-ministro eleito da Hungria, Péter Magyar, anunciou nesta quarta-feira (15) que pretende interromper temporariamente o funcionamento das emissoras públicas do país assim que assumir o cargo.
Em entrevistas concedidas às próprias rádios e TVs estatais, Magyar afirmou que a medida será necessária para “reorganizar” as redações e pôr fim ao que classificou como uma “fábrica de mentiras”. Segundo ele, o conteúdo veiculado hoje estaria no mesmo nível de “propaganda nazista” e da “Coreia do Norte”.
“O que ocorre aqui desde 2010 deixaria Joseph Goebbels admirado. Nenhuma palavra verdadeira é dita. Isso precisa acabar”, declarou. O político de centro-direita acrescentou que as emissoras atacaram pessoalmente sua família durante a campanha eleitoral e que pretende criar condições para um jornalismo “independente, objetivo e imparcial”.
No ar, apresentadores rebateram as acusações e alegaram que as empresas obedecem às leis húngaras. Magyar respondeu dizendo que “notícias falsas” são divulgadas sistematicamente e insistiu que o processo de suspensão ocorrerá logo após a formação do novo governo.
Vitória contundente nas urnas
O partido Tisza conquistou 137 dos 199 assentos do Parlamento nas eleições de domingo (12), superando com folga a maioria de 100 cadeiras necessária para governar. O Fidesz, legenda do atual premiê Viktor Orbán, ficou com 56 lugares. A derrota encerra os 16 anos de Orbán no poder, período que o tornou o chefe de governo mais longevo da União Europeia.
Magyar, ex-aliado de Orbán que rompeu com o Fidesz, assume prometendo mudanças profundas na comunicação estatal, vista por ele como instrumento político do governo anterior.
Não foram divulgados prazos concretos para a suspensão nem detalhes sobre o modelo de gestão que substituirá o atual sistema.
Com informações de Gazeta do Povo