O governo iraniano anunciou neste sábado, 20 de junho de 2026, o fechamento do Estreito de Ormuz ao tráfego marítimo. A medida foi apresentada como resposta direta aos bombardeios realizados por Israel no sul do Líbano, classificados por Teerã como violação de um acordo de cessar-fogo assinado há três dias com os Estados Unidos.
Em comunicado divulgado pela agência estatal Irna, o Quartel-General Central Khatam al-Anbiya — principal comando militar do país — afirmou que a interrupção da navegação marca a “primeira etapa” de uma retaliação contra o que considera descumprimento da “primeira cláusula” do pacto firmado em 17 de junho.
Acusações de descumprimento do acordo
O pacto, batizado de Memorando de Islamabad, foi assinado pelo presidente norte-americano Donald Trump no Palácio de Versalhes, na França, e pelo presidente iraniano Masoud Pezeshkian em Teerã. O texto previa o fim dos combates iniciados em 28 de fevereiro e abrangia todas as frentes, inclusive o território libanês.
Teerã acusou Washington de não garantir o cumprimento do tratado após novos confrontos na sexta-feira, 19 de junho. Segundo as Forças de Defesa de Israel (FDI), quatro militares israelenses morreram em um ataque com drone do Hezbollah no sul do Líbano. Já o governo libanês informou que pelo menos 18 pessoas morreram e 33 ficaram feridas em ofensivas israelenses no mesmo dia.
Ameaça de novas medidas
No comunicado, o comando iraniano condenou a “matança impiedosa” e o deslocamento em massa de civis no Líbano, alertando que outras ações estão planejadas caso “a agressão continue” e que elas serão executadas para “obrigar o inimigo a cumprir suas obrigações”.
Negociações suspensas
As primeiras rodadas de diálogo previstas para a Suíça foram canceladas. Fontes regionais indicam que o Irã desistiu do encontro em protesto contra os ataques no Líbano e contra declarações do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que descartou a retirada das tropas israelenses do sul libanês, onde enfrentam o Hezbollah, aliado de Teerã.
Com o bloqueio de Ormuz, principal rota de exportação de petróleo do Golfo, a tensão regional volta a subir, enquanto a comunidade internacional aguarda a próxima movimentação de Teerã e de Washington.
Com informações de Gazeta do Povo