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Investidas do Irã contra países do Golfo travam processo de reaproximação e ampliam isolamento de Teerã

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Teerã — A série de ataques com mísseis e drones lançados pelo Irã contra vizinhos do Golfo Pérsico durante a atual guerra no Oriente Médio interrompeu o movimento de reaproximação diplomática iniciado há três anos e deixou o regime dos aiatolás ainda mais isolado na região.

Do diálogo ao confronto

Março de 2023 – Arábia Saudita e Irã restabeleceram relações diplomáticas, sete anos após o rompimento, em acordo mediado pela China.
Novembro de 2024 – O príncipe-herdeiro saudita, Mohammad bin Salman (MBS), saiu em defesa de Teerã ao pedir que a comunidade internacional impedisse Israel de violar a soberania iraniana.
Junho de 2025 – Durante guerra de 12 dias entre Israel e Irã, o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) condenou bombardeios israelenses, classificando-os como violação do direito internacional.

Escalada atual

O conflito iniciado em 2026 — atualmente sob cessar-fogo de duas semanas — levou Teerã a bloquear o Estreito de Ormuz e a atingir alvos em Bahrein, Kuwait, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Embora o governo iraniano diga que mirou apenas instalações militares dos Estados Unidos, foram registrados danos em prédios residenciais, hotéis, aeroportos, embaixadas, portos e estruturas energéticas, resultando em vítimas civis e prejuízos econômicos.

Em março, esses países, ao lado de Jordânia e Estados Unidos, divulgaram nota conjunta classificando as ofensivas iranianas como “indiscriminadas e imprudentes”.

Reação regional

• Fontes de inteligência citadas pelos jornais The New York Times e The Guardian afirmam que, antes do cessar-fogo, MBS pediu ao presidente americano, Donald Trump, que ampliasse a ofensiva contra o Irã.
• O governo dos Emirados Árabes anunciou que Teerã deve arcar com os danos causados pelos bombardeios.
• No Bahrein, ao menos 280 pessoas — entre elas o capitão da seleção nacional de basquete, Hassan Nowrooz — foram presas em novo endurecimento contra a minoria xiita.

Análise de especialistas

Para Sandro Teixeira Moita, professor da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, os ataques mudaram a percepção de segurança no Golfo: “Quando o Irã começa a atacá-los, essa visão muda”. O bloqueio de Ormuz e a ameaça de cobrança de pedágio acentuam a preocupação.

Já o economista e doutor em relações internacionais Igor Lucena observa que a proteção norte-americana é vista como insuficiente, levando os países do Golfo a negociar acordos de defesa com Turquia e China e a estudar rotas alternativas — gasodutos, oleodutos e até um canal — para contornar o Estreito de Ormuz.

Com a suspensão do diálogo e a busca de novos parceiros militares e econômicos pelos vizinhos, o Irã enfrenta o cenário de maior isolamento regional desde a ruptura diplomática de 2016.

Com informações de Gazeta do Povo