NOVA YORK, 22 de maio de 2026 – A iniciativa do prefeito socialista Zohran Mamdani de criar um tributo anual para segundas residências de alto padrão em Nova York acendeu o sinal de alerta entre investidores e reforçou a estratégia do Texas de atrair empresas com menor carga fiscal e incentivos diretos.
Como funciona a “pied-à-terre tax”
Anunciado em abril, o projeto prevê alíquota entre 0,8% e 1,3% sobre imóveis avaliados acima de US$ 5 milhões — cerca de R$ 25 milhões — usados como segunda moradia. Caso seja aprovado pelo Parlamento estadual, o imposto entra em vigor em 2027, terá validade inicial de cinco anos e pode ser renovado pelos deputados.
A proposta foi incluída no orçamento do estado pela governadora democrata Kathy Hochul após pressão de Mamdani, que assumiu a prefeitura em 1.º de janeiro prometendo taxar grandes fortunas. A gestão municipal calcula arrecadar perto de US$ 500 milhões por ano, montante insuficiente para cobrir o déficit previsto de US$ 5,4 bilhões, mas considerado passo simbólico pelo prefeito.
Reações de Wall Street e do setor imobiliário
Mamdani divulgou o avanço do tributo em frente ao prédio onde o bilionário Ken Griffin, fundador do fundo Citadel, possui um apartamento avaliado em US$ 238 milhões. Griffin classificou a postura do prefeito como “teatro político irresponsável” e disse que a cidade “não recebe bem o sucesso”.
O Real Estate Board of New York (REBNY) afirmou que a medida pode frear novos empreendimentos, desvalorizar propriedades e eliminar milhares de empregos. O clima de apreensão se espalhou por Wall Street desde a posse do prefeito.
Texas explora descontentamento de empresários
Sem imposto estadual sobre renda e com taxa de 0,75% sobre a receita de determinadas empresas, o Texas, liderado pelo governador republicano Greg Abbott, oferece subsídios via Texas Enterprise Fund desde 2003. O estado também criou o Texas Semiconductor Innovation Fund, em 2023, e o programa JETI, em 2024, que concede redução de tributos locais por até uma década a grandes projetos.
Entre 2015 e 2024, 314 companhias transferiram suas sedes para o Texas, 23 delas vindas de Nova York. No setor financeiro, o estado ultrapassou Nova York em número de empregados em 2024, segundo a Partnership for New York City.
Bolsas e bancos migram para o sul
A Bolsa de Nova York lançou em 2025 a NYSE Texas, operação totalmente on-line em Dallas. No mesmo ano, a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA aprovou a criação da Texas Stock Exchange (TXSE), que planeja iniciar atividades em julho com capital de US$ 275 milhões obtido de instituições como BlackRock, Citadel Securities e Goldman Sachs. Nasdaq também abriu unidade no estado.
Bancos como JPMorgan Chase, Wells Fargo e Goldman Sachs ampliam equipes em Dallas e Fort Worth — apelidadas de “Yall Street” —, enquanto executivos citam menor tributação e custos.
Gigantes de tecnologia e mudança jurídica
A Dell Technologies decidiu, em maio, transferir sua sede legal de Delaware para o Texas. Tesla, SpaceX, Dropbox, TripAdvisor e Pershing Square já haviam tomado caminho similar após mudanças legislativas que criaram a Texas Business Court e reduziram a exposição de executivos a ações de acionistas.
Mais impostos na mira em Nova York
Além da “pied-à-terre tax”, Mamdani propõe elevar de 3,88% para 5,88% o imposto de renda municipal para quem ganha acima de US$ 1 milhão ao ano. A medida, que renderia cerca de US$ 3 bilhões anuais para financiar creches gratuitas, enfrenta resistência da governadora Hochul, que disputa a reeleição em novembro.
Fluxo de pessoas intensifica pressão
Dados do Internal Revenue Service mostram que, em 2023, o Texas recebeu 56.473 novos contribuintes de outros estados, enquanto Nova York perdeu quase 72 mil. Estudos da Heritage Foundation indicam que a migração se concentra em busca de menor carga tributária e melhor custo de vida.
O deslocamento populacional pode alterar a distribuição de cadeiras na Câmara dos Deputados depois do censo de 2030: projeções apontam ganho potencial de 11 assentos para estados que votaram em Donald Trump em 2024, caso a tendência permaneça.
Com informações de Gazeta do Povo