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Ex-assessor de Trump acusa Lula e Moraes de “instrumentalizar” Justiça após inquérito sobre Flávio Bolsonaro

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Brasília — 16 abr. 2026 — Jason Miller, ex-conselheiro do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, atacou publicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes depois que o magistrado determinou a abertura de um inquérito da Polícia Federal (PF) contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Em mensagem publicada nesta quinta-feira (16) na rede social X, Miller compartilhou reportagem sobre o caso e questionou: “Como isso é normal? Lula e seu parceiro do STF Alexandre de Moraes estão tentando usar o manual de instrumentalização judicial de Joe Biden contra Flávio Bolsonaro”.

Investigação aberta pelo STF

O inquérito foi instaurado por Moraes na segunda-feira (13) e tornou-se público na quarta (15). A medida atende a representação da própria PF, que vê possível crime de calúnia em publicação de Flávio Bolsonaro nas redes sociais. No texto, o senador afirma que “Lula será delatado”, associa o presidente brasileiro ao Foro de São Paulo e o vincula a crimes como tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e apoio a ditaduras, citando ainda a prisão do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro.

Para Moraes, a postagem ocorreu “em ambiente virtual público, acessível a milhares de pessoas” e imputa “fatos criminosos ao presidente da República”. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, endossaram o pedido de investigação. A PF tem 60 dias para apresentar seu relatório.

Reações e críticas

Flávio Bolsonaro classificou o inquérito como “juridicamente frágil” e disse tratar-se de “tentativa clara de cercear a liberdade de expressão e o livre exercício do mandato parlamentar”.

A Associação Lexum, que reúne juristas em defesa do funcionamento regular das instituições, apontou falhas na decisão do ministro. Segundo a entidade, não foram examinados requisitos básicos do crime de calúnia, como a necessidade de fato específico e concreto e a intenção deliberada de caluniar, distinta de mera crítica política. A Lexum também questionou o afastamento da imunidade parlamentar prevista no artigo 53 da Constituição e a imparcialidade de Moraes, já que ele conduz outros processos ligados ao entorno político do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Comparação com relatório do Congresso dos EUA

Miller comparou a situação brasileira a um documento de 17 mil páginas divulgado em dezembro de 2024 pelo Subcomitê Especial da Câmara dos Deputados dos EUA sobre a Instrumentalização do Governo Federal. O relatório alega que o então governo Joe Biden utilizou a máquina estatal para perseguir opositores, citando pressões sobre o Facebook para remover conteúdo de usuários e a coordenação da campanha democrata de 2020 com ex-agentes de inteligência a fim de influenciar as eleições.

Aliado próximo da família Bolsonaro, Jason Miller tem utilizado suas redes para denunciar o que chama de “censura” do Judiciário brasileiro e declarar apoio à eventual candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro em 2026.

Com informações de Gazeta do Povo