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Estreito de Ormuz reacende tensão e encerra cessar-fogo entre EUA e Irã

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O frágil cessar-fogo firmado há menos de um mês entre Estados Unidos e Irã chegou ao fim nesta quarta-feira (8) após novos ataques e ameaças envolvendo o Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural comercializados no mundo.

Durante a cúpula da Otan realizada na Turquia, o presidente americano, Donald Trump, declarou que o Memorando de Islamabad — assinado em 17 de junho e responsável por suspender as hostilidades por 60 dias — “não faz mais sentido” e disse ser “perda de tempo” negociar com Teerã. Trump voltou a cogitar grandes ofensivas militares, a retomada do bloqueio naval de portos iranianos e a ocupação da Ilha de Kharg, responsável por 90% das exportações de petróleo iranianas.

Troca de ataques

Na terça-feira (7), Washington lançou bombardeios contra alvos iranianos e restabeleceu sanções ao petróleo do país após o Irã atingir embarcações comerciais no estreito. Em retaliação, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica informou, nesta quarta, ter atacado instalações militares dos EUA no Bahrein e no Kuwait, qualificando a ação como o início de uma “resposta esmagadora”.

Os Estados Unidos responderam com novos ataques para, segundo o Comando Central (Centcom), “reduzir ainda mais a capacidade iraniana de ameaçar a liberdade de navegação”.

Disputa pelo controle de Ormuz

Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, Teerã tem recorrido a bloqueios quase totais em Ormuz para pressionar a economia mundial e ganhar vantagem nas negociações. O artigo 5 do Memorando de Islamabad determinava que o Irã passasse a conversar com Omã sobre a futura administração do corredor marítimo. No fim de junho, iranianos e omanenses anunciaram a criação de um grupo de trabalho para discutir a gestão e a cobrança de serviços na passagem — proposta rejeitada por Washington e seus aliados.

Risco de escalada

Para o professor Sandro Teixeira Moita, da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), a controvérsia em torno de Ormuz serve como instrumento de dissuasão iraniano e fonte de recursos para reconstruir arsenais destruídos durante 40 dias de guerra. Ele avalia que, se Trump ordenar uma retomada “com força total” da ofensiva, os Estados Unidos podem realizar bombardeios intensos e operações terrestres limitadas, inclusive para capturar Kharg e outras ilhas estratégicas.

Moita pondera, porém, que o custo econômico de uma escalada — sobretudo a alta do petróleo — pode conter a Casa Branca, resultando em “alguns dias de tensão” antes de um possível retorno a uma trégua precária.

Analistas internacionais, como Shane Croucher, da revista Newsweek, também veem os mercados de energia como fator decisivo: a volatilidade dos preços poderia agir como árbitro informal, forçando ambos os lados a reduzirem a intensidade dos confrontos, ainda que sem restaurar a paz.

Por enquanto, a administração do estreito permanece no centro da disputa, e a possibilidade de uma guerra em larga escala volta a assombrar o Golfo Pérsico.

Com informações de Gazeta do Povo