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Emirados Árabes deixam Opep, reduzem força do cartel e fortalecem discurso de Trump

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Os Emirados Árabes Unidos anunciaram nesta terça-feira, 28 de abril de 2026, a saída imediata da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e da aliança Opep+, medida que retira do grupo um de seus principais produtores e corresponde a uma perda estimada de 13% na capacidade total de produção do cartel, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).

A decisão agrava as dificuldades da organização num momento em que sua produção já havia recuado quase 8 milhões de barris por dia em março — queda de 27,5% em comparação com fevereiro — devido à guerra no Irã e ao bloqueio do Estreito de Ormuz, que afetaram sobretudo Iraque e demais países do Golfo Pérsico.

Cenário geopolítico

O conflito no Oriente Médio intensificou divisões internas na Opep após ataques iranianos na região. De acordo com autoridades locais, os Emirados foram o país mais atingido, sofrendo mais de 2.800 drones e mísseis disparados por Teerã. Mesmo assim, Abu Dhabi consegue contornar parte do bloqueio no Estreito de Ormuz, escoando mais da metade de suas exportações por rotas alternativas.

Pressão por maior produção

Há meses, o governo emiradense pressionava a Opep por limites de produção menos rígidos. Sem consenso, o país decidiu retirar-se do grupo, repetindo movimento semelhante ao do Catar em 2019. Analistas veem risco de novos desembarques. “Se há um momento para sair, é agora. O Cazaquistão pode ser o próximo”, avaliou Robin Mills, CEO da consultoria Qamar Energy, à emissora CNN.

Impacto político nos EUA

Para o presidente norte-americano Donald Trump, crítico antigo da Opep, a debandada significa um ganho estratégico. Desde o primeiro mandato, o republicano acusa o cartel de “explorar” consumidores ao controlar preços. A crescente presença do petróleo de xisto dos EUA já vinha diluindo a influência da organização; a saída emiradense reforça esse enfraquecimento.

Os Emirados integravam a Opep desde 1967, quando apenas o emirado de Abu Dhabi era membro, e mantiveram a adesão após a fundação do país, em 1971. A ruptura, agora oficial, amplia a incerteza sobre o futuro da Opep+ e sobre o equilíbrio da oferta global de petróleo.

Com informações de Gazeta do Povo