Caracas – 28/04/2026. A líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, aprovou a aposentadoria de oito magistrados considerados próximos do ex-presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, no Supremo Tribunal de Justiça (TSJ), órgão equivalente ao Supremo Tribunal Federal brasileiro.
A decisão foi ratificada pelo Pleno da corte e divulgada pelo portal venezuelano Efecto Cocuyo. A medida ocorre em meio à pressão dos Estados Unidos, cujo presidente, Donald Trump, vem sinalizando apoio a Rodríguez desde que ela assumiu o comando do país.
Alvos da mudança
Entre os nomes retirados estão Maikel Moreno, que presidiu o TSJ entre 2017 e 2022, e Elsa Gómez. Ambos mantêm vínculos estreitos com o casal Maduro–Flores.
Moreno enfrenta sanções impostas por 42 nações, incluindo Estados Unidos e União Europeia, por seu suposto papel no enfraquecimento da democracia venezuelana. Washington oferece recompensa de US$ 5 milhões por informações que levem à sua captura, alegando que ele integra uma rede transnacional de narcotráfico.
Já Elsa Gómez ganhou notoriedade por decisões consideradas favoráveis ao governo chavista e por seu envolvimento, em 2013, no caso que beneficiou um general condenado por corrupção. Ela é tia da esposa de Walter Gavidia Flores, filho mais velho de Cilia Flores.
Justificativa oficial
Fontes institucionais informaram que a remoção dos magistrados tem por objetivo “otimizar o funcionamento dos tribunais e adequar o sistema judiciário às novas demandas sociais e jurídicas”. Observadores veem a iniciativa como passo relevante para equilibrar a composição do TSJ durante o processo de transição política.
Papel da Assembleia Nacional
A renovação das cadeiras do Supremo é conduzida pela Assembleia Nacional, presidida por Jorge Rodríguez, irmão da chefe de Estado interina. O Legislativo prometeu um processo de seleção rigoroso e anunciou que a lista de candidatos às vagas será divulgada nas próximas semanas.
O andamento das nomeações é considerado teste crucial para medir a disposição do chavismo em adotar reformas democráticas.
Com informações de Gazeta do Povo