O governo de Cuba adquiriu mais de 300 drones militares provenientes da Rússia e do Irã desde 2023 e, recentemente, passou a cogitar ataques contra alvos norte-americanos na ilha em caso de agravamento das tensões com Washington. A informação foi revelada pelo portal Axios neste domingo (17).
Segundo dados de inteligência dos Estados Unidos, aos quais o site teve acesso, integrantes do regime de Miguel Díaz-Canel discutiram cenários envolvendo ações contra a base naval norte-americana de Guantánamo, embarcações militares dos EUA e, possivelmente, Key West, na Flórida, a cerca de 145 quilômetros de Havana.
Uma autoridade americana que falou sob condição de anonimato disse que não há indícios de ameaça imediata, mas confirmou que militares cubanos vêm avaliando como empregar drones caso as relações bilaterais piorem.
Assessores iranianos em Havana
Washington também confirma a presença de assessores militares iranianos na capital cubana, fato que eleva a preocupação sobre troca de know-how entre Havana, Teerã e Moscou no uso desse tipo de armamento.
“Quando se observa essa tecnologia tão próxima, somada a atores hostis, de grupos terroristas a cartéis, iranianos e russos, o risco cresce”, afirmou a fonte ao Axios.
Aquisições e armazenamento
Os equipamentos, de diferentes capacidades de ataque, estariam distribuídos em pontos estratégicos da ilha. No mês passado, representantes cubanos fecharam novas compras de drones e outros artefatos bélicos com a Rússia, segundo o relatório.
Viagem do diretor da CIA
A revelação ocorre poucos dias depois de o diretor da CIA, John Ratcliffe, ter ido a Havana para transmitir recado direto do presidente Donald Trump. Ratcliffe advertiu que Cuba não deve servir de plataforma para adversários dos EUA no Hemisfério Ocidental.
Resposta de Havana
Em nota publicada no X, a Embaixada de Cuba em Washington não negou possuir drones de ataque. O comunicado defendeu o direito de “autodefesa contra agressões externas” e acusou setores dos EUA de buscar pretextos para justificar possível ofensiva militar contra a ilha.
Contexto de tensão
Desde janeiro, a Casa Branca impõe bloqueio ao fornecimento de combustível a Cuba, agravando a crise energética, os apagões e os protestos populares. O chanceler Bruno Rodríguez declarou que o país “é de paz”, mas reagirá “até as últimas consequências” se for atacado, advertindo para um “banho de sangue” caso haja ofensiva norte-americana.
17 de maio de 2026
Com informações de Gazeta do Povo