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Comunistas russos avisam Putin: sem reação à crise, país pode reviver 1917

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Moscou, 23 de abril de 2026 — O líder do Partido Comunista da Federação Russa, Gennady Zyuganov, 81 anos, advertiu o presidente Vladimir Putin de que uma nova revolução poderá eclodir se o governo não adotar rapidamente medidas para conter a deterioração econômica do país.

A declaração foi feita na última terça-feira (21) durante sessão da Duma Estatal, a câmara baixa do Parlamento. Zyuganov, que costuma apoiar as iniciativas do Kremlin apesar de ser, em tese, oposicionista, disse aos deputados que o partido “faz tudo para sustentar Putin, sua estratégia e suas políticas”, mas que os alertas não estariam sendo ouvidos.

“Se não forem tomadas com urgência decisões financeiras, econômicas e outras, até o outono [no Hemisfério Norte] estaremos diante de uma repetição de 1917. Não podemos permitir que isso aconteça”, afirmou, numa referência à Revolução Bolchevique que instaurou o regime comunista derrubado apenas em 1991. A fala foi acompanhada de aplausos no plenário.

Desempenho econômico preocupante

Após três anos de expansão, o Produto Interno Bruto (PIB) russo encolheu 1,8% nos dois primeiros meses de 2026. A alta das cotações de petróleo e gás — impulsionada pelo conflito no Irã — e o alívio parcial das sanções aplicadas pelos Estados Unidos têm amortecido o impacto, levando o Fundo Monetário Internacional (FMI) a rever a previsão de crescimento do PIB neste ano de 0,8% para 1,1%.

Cenário político

A Rússia realizará eleições parlamentares em setembro. Mesmo com o discurso de pressão, o Partido Comunista dispõe de apenas 57 das 450 cadeiras da Duma, enquanto o governista Rússia Unida detém 315 lugares — composição que dificulta qualquer desafio significativo ao poder de Putin.

Por ora, Zyuganov insiste que o governo adote “decisões” antes que o descontentamento social se transforme em convulsão semelhante à de 1917.

Com informações de Gazeta do Povo