NOVA DÉLHI – A reunião de dois dias dos ministros das Relações Exteriores dos Brics terminou nesta sexta-feira (15) sem uma posição unificada sobre o conflito no Irã.
O encontro, realizado na capital indiana, aprovou apenas uma declaração da presidência rotativa do bloco, reconhecendo “diferentes pontos de vista” entre os membros a respeito da guerra iniciada em 28 de fevereiro e suspensa desde 7 de abril por um cessar-fogo.
Documento evita condenação a EUA e Israel
O texto final não condena diretamente Estados Unidos e Israel, embora registre que “muitos membros” apontaram impactos econômicos globais provocados pelos combates. Também ressalta a necessidade de uma “resolução rápida da crise”, o valor do diálogo e da diplomacia, o respeito à soberania e o fluxo sem obstáculos do comércio marítimo internacional.
Duas passagens, referentes à Faixa de Gaza e ao mar Vermelho, receberam notas de rodapé da presidência indiana informando que um dos integrantes apresentou reservas.
Irã acusa Emirados Árabes de bloquear consenso
Na quinta-feira (14), o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, pediu que o Brics condenasse Washington e Tel Aviv e acusou os Emirados Árabes Unidos de colaborar com a ofensiva. Nesta sexta, ele afirmou que “um membro” impediu uma declaração conjunta por manter “relação especial” com EUA e Israel, aludindo aos Emirados.
“Esse país não foi nosso alvo durante a guerra, apenas as bases americanas em seu território. O único motivo para não haver uma declaração é o seu apoio aos EUA e a Israel”, declarou Araghchi.
Ampliação recente do bloco agrava divergências
Além de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o Brics passou a contar em 2024 com Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Irã, ganhando a Indonésia em 2025. A ampliação complicou a busca por posições convergentes sobre temas do Oriente Médio, segundo diplomatas presentes.
Em abril, Abu Dhabi afirmou que Teerã deve pagar pelos danos causados pelos ataques iranianos a países do Golfo Pérsico. O governo dos Emirados confirmou ter interceptado mísseis e drones e, segundo o jornal The Wall Street Journal, conduziu operações militares contra o Irã no início daquele mês.
Com o impasse mantido, a próxima tentativa de harmonizar posições deverá ocorrer na cúpula de chefes de Estado do Brics, prevista para setembro em Moscou.
Com informações de Gazeta do Povo