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Bispos argentinos alertam para explosão de apostas online entre crianças durante a Copa

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Quase um mês após o início da Copa do Mundo, quando restam apenas 16 das 48 seleções que começaram o torneio, a Igreja Católica na Argentina voltou suas atenções para um fenômeno que avança longe dos gramados: o crescimento das apostas online entre crianças e adolescentes.

Em entrevista concedida em 8 de julho de 2026, o cardeal Ángel Rossi, arcebispo de Córdoba, relatou preocupação com jovens que, segundo ele, “estão mais interessados em saber se haverá um gol ou um escanteio por causa da aposta feita do que em assistir à partida”. O religioso acabara de retornar do consistório ordinário convocado pelo Papa Leão XIV e enfatizou a necessidade de atender aos “clamores do mundo”.

O bispo de La Rioja, Dante Braida — que preside a comissão episcopal para a pastoral da sociedade — reforçou o alerta. Para ele, “qualquer telefone celular pode se transformar em um cassino”, dada a facilidade de acesso às plataformas de jogo mesmo por menores de idade.

Pesquisa aponta uso de carteiras digitais

De acordo com levantamento da Cruz Vermelha citado por Braida, 83% dos adolescentes que apostam utilizam carteiras digitais, e seis em cada dez não diferenciam plataformas legais das ilegais. A maior parte ingressa nesse universo influenciada por publicidade.

Embora a FIFA aplique sua política de “local limpo” durante o Mundial, vetando anúncios de casas de apostas nos estádios, comerciais desse tipo são exibidos repetidamente na televisão argentina durante as pausas para hidratação e o intervalo das partidas.

Apelo por limites e apoio

Braida conclamou autoridades, pais, educadores, catequistas e comunidades paroquiais a “fazer muito mais para estabelecer limites e apoiar esforços de mudança”. Ele lembrou que, hoje, “os cassinos não estão mais apenas ao redor da praça da cidade, mas no bolso dos jovens”. O bispo citou ainda a encíclica Magnifica Humanitas, na qual o Papa Leão XIV defende que o progresso tecnológico só é legítimo quando serve à dignidade humana.

Com informações de Gazeta do Povo