Miami (EUA) — O bispo nicaraguense Silvio Báez, exilado desde 2019, afirmou que o regime do presidente Daniel Ortega e da vice-presidente Rosario Murillo tenta impor uma “paz falsa” à população por meio do medo e das armas.
Durante homilia celebrada em 12 de abril, na Igreja de Santa Ágata, em Miami, Báez declarou que as feridas causadas pela repressão “se tornarão cicatrizes curadas pelo amor de Deus” e servirão de lembrança para que o país não repita um passado “doloroso de injustiça e opressão”.
“Paz não é silêncio de cemitério”
O prelado relacionou sua mensagem à passagem bíblica na qual Jesus ressuscitado mostra as chagas ao apóstolo Tomé. Segundo ele, assim como as feridas de Cristo se tornaram gloriosas, também as dores do povo nicaraguense podem impulsionar processos de reconciliação. “Devemos agir como artesãos da paz, com criatividade e ousadia”, afirmou.
Báez citou ainda a vigília pela paz conduzida pelo papa Leão XIV em 11 de abril, no Vaticano, para reforçar que a verdadeira paz “brota da justiça” e “é vivida em liberdade”. “Governos que reprimem, controlam, prendem ou forçam cidadãos ao exílio são inimigos da paz”, enfatizou.
Perseguição à Igreja
Nos últimos quatro anos, o governo de Ortega proibiu milhares de procissões e eventos públicos de Quaresma e Semana Santa, permitindo apenas algumas manifestações sob vigilância policial. De acordo com dados da Igreja Católica:
- 309 religiosos — entre bispos, padres e freiras — foram expulsos ou obrigados a deixar o país;
- ao menos 39 propriedades eclesiásticas foram confiscadas;
- a ordenação de novos sacerdotes foi suspensa em diversas dioceses.
Na homilia em Miami, o bispo concluiu que os cristãos “são chamados a ser construtores da verdadeira paz”, ainda que suas vidas “não se tornem mais fáceis, mas mais plenas, vibrantes e cheias de luz”.
Com informações de Gazeta do Povo