Home / Internacional / Americanos voltam a garimpar no Oeste em meio à disparada do ouro e temor inflacionário

Americanos voltam a garimpar no Oeste em meio à disparada do ouro e temor inflacionário

ocrente 1779493758
Spread the love

Washington – A cotação do ouro acima de US$ 4.500 por onça-peso reacendeu, em pleno 2026, a imagem da corrida do ouro no Oeste dos Estados Unidos. Influenciados por redes sociais e pela perda de confiança no dólar, cidadãos comuns têm comprado pás, bateias e detectores de metal para garimpar nas montanhas da Sierra Nevada, na Califórnia.

Ferragens lotadas e equipamentos high-tech

Lojas históricas como a Placerville Hardware, inaugurada em 1852, registram forte alta nas vendas de ferramentas de escavação. Segundo o proprietário Albert Fausel, o movimento cresce à medida que a cotação se aproxima de um nível simbólico: “Quando chegar a US$ 5 mil, vai ser um marco”, disse à revista The New Yorker.

Além de pás e peneiras, garimpeiros amadores utilizam hoje recursos como mapeamento a laser (LiDAR) para identificar antigos leitos de rios. Muitos monetizam as expedições em canais de YouTube e TikTok, transformando o conteúdo em fonte de renda adicional.

Inflação e perda de renda alimentam a busca por ativos físicos

O CPI norte-americano subiu 3,8% em 12 meses até abril, o maior avanço desde maio de 2023. No mesmo período, o PPI saltou 6%, impulsionado por alta de 22,7% nos custos de energia. Já a remuneração real dos trabalhadores caiu 0,5% em abril, sinal de que os salários não acompanham o aumento do custo de vida.

Desdolarização atinge governos e mercado financeiro

Não são apenas pessoas físicas que trocam moeda por metal. Bancos centrais devem comprar cerca de 755 toneladas de ouro em 2026, segundo o J.P. Morgan, que projeta o preço em US$ 5.055 até o fim do ano e potencial de alcançar quase US$ 8 mil até 2030. O movimento é atribuído ao receio com a dívida pública dos EUA, próxima de US$ 40 trilhões.

Pressão política sobre o Fed amplia incerteza

Em maio, o Senado confirmou Kevin Warsh como novo presidente do Federal Reserve por 54 votos a 45. Indicado pelo presidente Donald Trump, Warsh assume sob pressão do governo para reduzir juros, hoje entre 3,5% e 3,75%, apesar da inflação resistente. Analistas veem a disputa como mais um fator de desconfiança em relação ao dólar.

Efeito colateral no Brasil

A persistência da inflação nos EUA limita cortes de juros pelo Fed e atrai capital para títulos americanos, pressionando o real. Em paralelo, o Brasil avança em regras de rastreabilidade do ouro: após decisão do STF que aboliu a “presunção de boa-fé” em 2023, a Câmara aprovou projeto de lei que cria a Taxa de Registro das Transações e de Marcação Física do Ouro (Touro). O texto está no Senado e prevê fiscalização pela Agência Nacional de Mineração e marcação do metal pela Casa da Moeda.

A convergência de preços recordes, instabilidade macroeconômica e busca por autonomia financeira, portanto, devolveu às montanhas californianas o cenário – agora high-tech – de uma corrida do ouro 177 anos depois da original.

Com informações de Gazeta do Povo