Mais de 60 cristãos da Igreja Ortodoxa Etíope foram assassinados em dois ataques recentes na região de Oromia, o que levou a instituição a solicitar maior proteção para os civis e punições rigorosas aos responsáveis.
Segundo o Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa Etíope de Tewahedo, 14 pessoas foram mortas em um ataque no distrito de Merti em 20 de outubro, e outras 46 foram assassinadas em Shirka quatro dias depois. Além disso, mais de 20 casas foram incendiadas e várias pessoas ficaram gravemente feridas.
A violência tem sido uma constante em comunidades da região, resultando em deslocamentos e destruição de propriedades. Um morador que perdeu seu pai de 75 anos descreveu o ataque como uma emboscada, afirmando que a população estava despreparada e cercada pelos agressores.
O representante da igreja classificou os incidentes em Shirka como um “massacre”, ressaltando que, embora as forças de segurança tenham chegado ao local, não conseguiram prevenir os ataques. Muitas pessoas foram forçadas a abandonar suas casas.
O Santo Sínodo criticou a falta de resposta adequada do governo diante das crescentes ameaças à segurança e alertou que a violência compromete os valores de respeito e convivência pacífica entre as comunidades etíopes.
Este padrão de ataques na Zona de Arsi já é conhecido, com um relatório de julho do Conselho Etíope de Direitos Humanos documentando a morte de 458 pessoas em quatro anos, além de sequestros e desaparecimentos.
O governo regional de Oromia atribuiu a responsabilidade a uma nova coalizão rebelde, a Aliança para a Sobrevivência, que inclui o Exército de Libertação Oromo (OLA). No entanto, o governo não apresentou provas concretas para sustentar a acusação.
A OLA, que reivindica direitos para o povo Oromo, negou envolvimento em atos violentos e, em resposta, houve alegações de que o governo seria o verdadeiro responsável pelos assassinatos.
O primeiro-ministro Abiy Ahmed já declarou que a violência contra civis e instituições religiosas é parte de uma estratégia para desestabilizar o país. A Etiópia, um país com rica diversidade religiosa, conta com cristãos representando cerca de dois terços da população.
Fonte: Folha Gospel.









