Brasília – A Amazônia Legal abriga hoje pelo menos 30 grupos criminosos armados, indica relatório do Instituto Igarapé divulgado em 16 de julho de 2026. O documento, intitulado “From Narco Cartels to Criminal Networks: The Structural Transformation of Organized Crime in Latin America and the Caribbean”, mostra que a região deixou de funcionar apenas como corredor do narcotráfico e passou a ser uma das fronteiras econômicas ilícitas mais complexas do planeta.
Segundo o estudo, mais de dois terços dos municípios amazônicos de Brasil, Equador, Colômbia, Peru, Venezuela e Bolívia registram a presença de ao menos uma organização criminosa. “As evidências demonstram que o crime organizado na região é muito mais do que um problema de aplicação da lei; envolve negócios, desenvolvimento e a própria democracia”, afirma Robert Muggah, coordenador da pesquisa.
Facções brasileiras em destaque
No lado brasileiro, o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) lideram as atividades ilícitas. Além do tráfico de drogas, as duas facções exploram garimpo ilegal, cobrança de taxas em áreas mineradoras e grilagem de terras.
Grupos de países vizinhos
A Colômbia aparece com dissidências das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) — Estado Mayor Central e Segunda Marquetalia —, além do Exército de Libertação Nacional (ELN). Na Venezuela, destacam-se o Tren de Aragua e diversos sindicatos mineradores.
Mercadorias ilegais na cadeia global
O relatório aponta que produtos extraídos de forma criminosa — madeira, ouro, carne, soja e minerais — entram nas cadeias de suprimento legais internacionais por meio de falsificação de documentos, fraude de títulos de propriedade e lavagem de ouro em refinarias intermediárias. Boa parte dessa produção segue para mercados da Europa e da América do Norte, em esquema semelhante ao de lavagem de dinheiro praticado por organizações mafiosas.
Recomendações
Entre as medidas sugeridas, o Instituto Igarapé destaca o fortalecimento da inteligência transnacional e o rastreamento da propriedade efetiva de empresas ao longo das cadeias de suprimento globais.
Com informações de Gazeta do Povo