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Tragédia aérea de 1981 alterou comando e selou futuro do Banco Bamerindus

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Curitiba – Um acidente com um bimotor Piper PA-34 Seneca II, em 24 de julho de 1981, interrompeu a linha sucessória do Banco Bamerindus e redefiniu o destino de uma das maiores instituições financeiras privadas do país.

Quem estava a bordo

A aeronave decolou do Aeroporto Afonso Pena, na Grande Curitiba, rumo a uma fazenda da família em Joaquim Távora (PR). Viajavam o presidente do banco, Tomaz Edison de Andrade Vieira, o vice-presidente e irmão Cláudio Enoch de Andrade Vieira, três filhos de Cláudio e o piloto Dalton Nicoleti.

Como ocorreu o acidente

Relatórios do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) indicam que, cerca de meia hora após a decolagem, o piloto relatou forte neblina e formação de gelo na fuselagem. O contato foi perdido logo depois do aviso de tentativa de pouso de emergência.

Busca mobilizou civis, militares e videntes

Durante seis dias, 30 aeronaves, equipes terrestres e até parapsicólogos procuraram o avião na região dos Campos Gerais. Os destroços foram localizados em 29 de julho, numa grota entre Piraí do Sul e Arapoti. Não houve sobreviventes.

Sucessão forçada

Com a morte dos principais executivos, o comando passou para o único irmão remanescente, José Eduardo de Andrade Vieira, então com 43 anos. Sem formação técnica em finanças, ele assumiu por necessidade e conduziu o Bamerindus a uma rápida expansão: nos anos 1990 o banco superou mil agências e tornou-se o terceiro maior do país em ativos, impulsionado por campanhas publicitárias como o jingle “O tempo passa, o tempo voa”.

Modelo de negócio vulnerável

O crescimento baseava-se no chamado float inflacionário, prática que rendia ganhos automáticos enquanto a inflação mensal girava em torno de 40%. A estabilidade trazida pelo Plano Real, em 1994, cortou essa fonte de receita. Para compensar, o banco ampliou o crédito sem critérios e diversificou investimentos, entre eles a fábrica de papel Inpacel, que exigiu cerca de US$ 600 milhões.

Intervenção e fim da marca

Com alta inadimplência e fuga de depósitos, o Banco Central decretou intervenção em 26 de março de 1997. Pelo Programa de Estímulo à Reestruturação do Sistema Financeiro (Proer), a Caixa assumiu parte da carteira e o HSBC comprou os ativos saudáveis por R$ 1 bilhão, pagando R$ 381,6 milhões de ágio. Dívidas trabalhistas, fiscais e créditos podres ficaram com a massa falida.

Epilogo de uma história familiar

A liquidação se arrastou por 16 anos e só terminou em 2014, após o BTG Pactual adquirir os últimos ativos por cerca de R$ 400 milhões. José Eduardo, falecido em 2015, sempre atribuiu a quebra a represálias políticas, mas o caso permanece como exemplo de risco de concentrar executivos chave num mesmo voo e de gestão bancária dependente de distorções econômicas.

Com informações de Gazeta do Povo