O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD-GO), deve dosar o tom de suas declarações sobre o Supremo Tribunal Federal (STF) na campanha de 2026. O político mantém relação próxima com vários ministros da Corte, em especial o decano Gilmar Mendes, ao mesmo tempo em que o tema do Judiciário domina o debate eleitoral após atritos recentes entre Poderes.
Em 2025, Caiado entregou o título de cidadão goiano a Gilmar Mendes, a Dias Toffoli e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, durante sessão na Assembleia Legislativa de Goiás. Na cerimônia, agradeceu a Mendes por decisão que adiou parcelas da dívida estadual e relatou visitas frequentes ao STF no primeiro mandato como governador. “Eu não saía do Supremo, nenhum dia, durante todo o meu primeiro mandato”, afirmou na ocasião.
Antes, em 2024, o então governador já havia concedido a Comenda da Ordem do Mérito Anhanguera a Gilmar Mendes no Palácio das Esmeraldas. No mesmo ano, o ministro esteve em Goiânia para palestrar no Tribunal de Justiça do Estado, reunir-se com o Ministério Público e visitar a galeria do artista Siron Franco.
Propostas para o Judiciário
Diferente do tom de enfrentamento adotado por Romeu Zema (Novo-MG) ou pela família Bolsonaro, Caiado apresentou um pacote de mudanças institucionais. Entre as sugestões estão:
- idade mínima de 60 anos para indicação de ministros do STF;
- quarentena de oito anos para que membros do Judiciário possam disputar cargos eletivos;
- proibição de escritórios de advocacia que tenham parentes de 1º grau de ministros atuando em processos na Corte;
- período de quatro anos antes de ex-ministros retomarem a advocacia.
O pré-candidato também defende que a escolha de ministros se dê por lista que não seja restrita a magistrados. O plano de governo, coordenado por Roberto Brant, ainda está em fase inicial e pode sofrer ajustes, informou a assessoria.
Anistia e clima institucional
Caiado anunciou como prioridade, caso eleito, uma anistia ampla para condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, o que incluiria o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), hoje em prisão domiciliar após sentença do STF por tentativa de golpe de Estado.
Relação social e críticas à “patrulha”
Em 2025, Caiado e a esposa, Gracinha — pré-candidata ao Senado —, participaram da festa de 73 anos de Guiomar Mendes, esposa do ministro. Questionado sobre a proximidade, o político rebateu acusações de “patrulha” e disse ter “direito de andar em qualquer lugar”. Segundo ele, discutir relações pessoais desvia o foco de “debater política em alto nível”.
Apesar da amizade, Caiado afirma que “as prerrogativas dos Poderes e as ingerências precisam ser discutidas”, mas ressalta a importância de STF, Congresso e Executivo para a manutenção da democracia.
Com informações de Gazeta do Povo