O pedido de recuperação judicial da fabricante de brinquedos Estrela, formalizado em 2026, simboliza o avanço da crise corporativa no país. Dados da Serasa Experian mostram que, em 2025, foram abertos quase mil processos desse tipo, maior volume em nove anos e reflexo direto do cenário de juros elevados.
Por que a Estrela recorreu à Justiça?
Com oito décadas de presença na bolsa, a companhia não conseguiu acompanhar a migração das crianças para tablets e jogos on-line. A queda nas vendas, somada ao encarecimento do crédito, tornou a dívida insustentável e levou a empresa a buscar proteção judicial para renegociar compromissos.
Recuperação judicial x extrajudicial
A recuperação judicial é um processo público conduzido por um juiz, no qual todas as dívidas são renegociadas para evitar a falência. Já a recuperação extrajudicial ocorre fora dos tribunais: a companhia acerta termos diretamente com os principais credores e apenas apresenta o acordo à Justiça para homologação, economizando tempo e resguardando a imagem.
Impacto dos juros altos
Quando o Banco Central eleva a taxa básica para segurar a inflação, o custo do dinheiro sobe. Empréstimos e financiamentos ficam mais caros, reduzindo o fluxo de caixa das empresas, que acabam postergando pagamentos a fornecedores para manter as operações.
Setores mais afetados
Embora casos de grandes varejistas ganhem destaque, o levantamento da Serasa indica que agropecuária e agronegócio lideram os pedidos de socorro. Ao fim do primeiro trimestre de 2026, mais de 5,9 mil companhias estavam em recuperação, alta de 21,5% em relação ao mesmo período de 2025.
Efeito dos conflitos internacionais
Guerras como a da Rússia contra a Ucrânia e tensões no Oriente Médio pressionam os preços de petróleo e gás natural. Dependente do transporte rodoviário, o Brasil sente o impacto direto no custo do frete. O encarecimento dos combustíveis alimenta a inflação, dificulta a redução dos juros e agrava o endividamento empresarial.
Com esse conjunto de fatores — juros altos, demanda em queda e custos crescentes —, especialistas classificam o momento como uma “tempestade perfeita” para o caixa das companhias, empurrando cada vez mais empresas para a recuperação judicial.
Com informações de Gazeta do Povo