Home / Economia / Recuperação judicial da Estrela expõe aumento recorde de empresas em crise no Brasil

Recuperação judicial da Estrela expõe aumento recorde de empresas em crise no Brasil

ocrente 1779748452
Spread the love

São Paulo – O pedido de recuperação judicial da fabricante de brinquedos Estrela, protocolado na quarta-feira (22), após quase 80 anos de presença na Bolsa, tornou-se símbolo de um cenário cada vez mais desafiador para as companhias brasileiras. Juros elevados, carga tributária pesada, concorrência digital e instabilidade geopolítica impulsionam uma onda de processos de reestruturação que já atinge milhares de negócios em todo o país.

Pedidos de recuperação batem recordes

RGF Associados contabilizou 5.931 empresas em recuperação judicial ao fim do primeiro trimestre, alta de 21,5% em relação ao mesmo período de 2025. O volume equivale a 2,2 companhias em cada mil em processo de reestruturação.

Serasa Experian aponta que, em 2025, 977 processos de recuperação judicial foram deferidos, avanço de 5,5% sobre 2024 e o maior número anual desde 2016. O setor agropecuário liderou os pedidos.

Recuperação extrajudicial também cresce

O Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial (Obre) registrou 84 pedidos de REJ em 2025 – o maior nível desde 2006. Somente no primeiro trimestre de 2026, já foram iniciados 22 novos processos.

Crédito caro e incerteza global pressionam caixa

Para o professor do Insper, Cláudio Montoro, a combinação de política monetária restritiva, déficit público elevado e tensões no Oriente Médio, agravadas pela guerra no Irã, encarece o custo do capital e mina a confiança dos investidores. “Vivemos uma tempestade perfeita”, resume.

Dados da Serasa Experian mostram 8,9 milhões de CNPJs com R$ 212,8 bilhões em dívidas vencidas em março. Do total, 8,4 milhões são micro e pequenas empresas que acumulam R$ 185,3 bilhões.

Setor se vale de ferramentas de reestruturação

O advogado Marcos Pelozato observa que a recuperação judicial deixou de ser vista como sinônimo de falência e passou a ser usada para preservar atividades viáveis. Já a recuperação extrajudicial, destaca Hilton Junior, vice-presidente da SWOT Global, ganha espaço por exigir menos exposição pública e custos menores, embora tenha limites para casos de caixa profundamente deteriorado.

Em 12 de maio, o Grupo Toky – controlador de Tok&Stok e Mobly – recorreu à recuperação judicial para administrar dívidas de R$ 1,1 bilhão, reforçando a tendência de empresas buscarem proteção judicial diante de um mercado de crédito restrito.

Com a Estrela agora na lista, especialistas não veem alívio no curto prazo enquanto juros altos, inflação pressionada por choques internacionais e incertezas fiscais seguirem travando a dinâmica de negócios no Brasil.

Com informações de Gazeta do Povo