Home / Economia / Receita Federal culpa boatos sobre monitoramento do PIX por avanço de facções no sistema financeiro

Receita Federal culpa boatos sobre monitoramento do PIX por avanço de facções no sistema financeiro

ocrente 1780014859
Spread the love

Brasília – O secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, afirmou nesta quinta-feira (28) que a onda de informações falsas espalhadas em 2025 sobre suposto monitoramento e tributação de transações via PIX favoreceu a atuação de facções criminosas no país.

Segundo Barreirinhas, a desinformação surgiu após o órgão editar uma norma que estendia a fintechs e bancos digitais a obrigação de informar mensalmente à Receita movimentações superiores a R$ 5 mil, no caso de pessoas físicas, e R$ 15 mil, para pessoas jurídicas – exigência em vigor para bancos tradicionais desde 2001.

“Fomos vítimas da maior onda de fake news da história do órgão, com mentiras dizendo que a Receita iria monitorar e tributar o PIX. Vimos quem se beneficiou disso: organizações criminosas que utilizavam fintechs para lavagem de dinheiro”, declarou o secretário durante coletiva convocada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP).

Operação Fluxo Oculto

A entrevista ocorreu após o MPSP deflagrar a Operação Fluxo Oculto nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul. As investigações indicam que seis fintechs movimentaram R$ 26 bilhões para o Primeiro Comando da Capital (PCC) entre 2022 e 2024, incluindo R$ 1 bilhão em espécie e R$ 365 milhões em criptoativos.

De acordo com a Receita, três dessas empresas não enviaram os dados exigidos pela E-financeira, enquanto as outras três informaram ter movimentado R$ 8 bilhões somente em 2025.

Regulamentação apertada

Após a Operação Carbono Oculto, em agosto de 2025, o Banco Central proibiu as chamadas “contas-bolsão” — depósitos de vários clientes em uma única conta — e determinou que fintechs prestassem informações detalhadas sobre as transações.

Barreirinhas reforçou que o sucesso das ações recentes só foi possível graças aos dados fornecidos pelas próprias fintechs. “Havia um vácuo regulatório que permitia operar sem a mesma transparência imposta a bancos há duas décadas”, disse.

Recuo do governo

Os boatos sobre possível tributação do PIX levaram o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a revogar a resolução em 2025. Posteriormente, o governo editou medida provisória proibindo qualquer cobrança de imposto sobre transferências via PIX.

A Advocacia-Geral da União acionou a Polícia Federal e a Secretaria Nacional do Consumidor para apurar a origem e a disseminação das informações falsas, sob a alegação de que prejudicaram a ordem econômica e facilitaram golpes.

Com informações de Gazeta do Povo