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Operação Fluxo Oculto aponta continuidade de fraude bilionária de combustíveis pelo PCC

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São Paulo – O Ministério Público de São Paulo (MPSP) afirmou nesta quinta-feira (28) que o Primeiro Comando da Capital (PCC) manteve um esquema bilionário de adulteração de combustíveis mesmo após a operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025. A nova ofensiva, batizada de Fluxo Oculto, investiga o uso de empresas-fantasmas, laranjas e fundos de investimento para sustentar o abastecimento clandestino e mascarar os lucros da facção.

De acordo com as investigações, o grupo desviava nafta petroquímica e solventes para postos na Grande São Paulo. Documentos falsificados e vendas simuladas davam aparência legal às transações, realizadas por companhias abertas apenas para esse fim.

Fundos sob suspeita

Os valores obtidos eram direcionados a quatro fundos de investimento, duas administradoras de recursos e duas gestoras agora alvos da operação. Juntos, os fundos acumulam patrimônio estimado em R$ 205 milhões e cresceram mais de 200% em pouco mais de um ano, indício de que vinham absorvendo o lucro do combustível adulterado, segundo o MPSP.

Histórico do esquema

A fraude já havia sido identificada em 2025, na Carbono Oculto, quando autoridades revelaram que o PCC importava nafta e metanol pelo Porto de Paranaguá (PR). Os insumos eram enviados a usinas e distribuidoras ligadas à facção para misturar a gasolina e o etanol revendidos no mercado.

Estimativas apontam que a estrutura movimentou cerca de R$ 52 bilhões em quatro anos. Parte do dinheiro era lavada por meio de usinas, frotas de caminhões, fundos imobiliários e outras empresas financeiras.

Empresas-laranja e fintechs

Segundo a denúncia, integrantes do esquema abriram firmas em vários estados usando parentes, pessoas em situação de vulnerabilidade social e até presos como laranjas. Embora registradas como compradoras de solventes, essas empresas direcionavam o produto ao mercado clandestino.

O MPSP ainda apura o envolvimento de seis fintechs suspeitas de movimentar cerca de R$ 26 bilhões para a facção após o bloqueio de outras companhias. Parte da lavagem ocorria por meio das chamadas “conta bolsão”, modalidade proibida pelo Banco Central após a Carbono Oculto, mas que teria sido adaptada pelo grupo.

Mandados e órgãos envolvidos

A operação Fluxo Oculto cumpre 55 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná. Participam da ação o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Receita Federal, Agência Nacional do Petróleo (ANP), Secretaria da Fazenda paulista, Procuradoria-Geral do Estado, Polícia Militar e Polícia Civil.

As diligências prosseguem para identificar todos os beneficiários do esquema e bloquear ativos relacionados à facção criminosa.

Com informações de Gazeta do Povo