São Paulo – O Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagrou na manhã desta quinta-feira (28) a operação Fluxo Oculto, voltada à investigação de seis fintechs sediadas, em sua maioria, na região da Avenida Faria Lima, na capital paulista. As empresas são suspeitas de atuar na lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), organização criminosa ligada ao tráfico de drogas e armas.
A ação é um desdobramento da operação Carbono Oculto, realizada em agosto de 2025, que identificou um esquema bilionário de fraude em combustíveis. Na ocasião, os promotores apuraram que o PCC movimentava cerca de R$ 30 bilhões por meio de 40 fundos de investimento administrados por fintechs da Faria Lima.
De acordo com o MPSP, após o bloqueio e a liquidação de parte dessas instituições na primeira fase, a facção passou a utilizar novas fintechs para manter o fluxo de recursos ilícitos. “Trata-se de um poderoso núcleo financeiro, empregado para compensações internas entre distribuidoras e postos de combustíveis, pagamentos de colaboradores e despesas pessoais dos principais operadores”, informou o órgão em nota.
Uma das práticas investigadas é o uso de conta bolsão — modalidade em que valores de diferentes clientes ficam reunidos em uma única conta para compensações dentro do Sistema Financeiro Nacional (SFN). O Banco Central proibiu esse mecanismo três meses depois da Carbono Oculto, mas, segundo os promotores, a operação continuou de forma disfarçada.
Ao todo, 55 mandados de busca e apreensão são cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná. Participam da ofensiva o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Receita Federal, Agência Nacional do Petróleo (ANP), Secretaria da Fazenda paulista, Procuradoria-Geral do Estado, Polícia Militar e Polícia Civil.
Os nomes das fintechs investigadas não foram divulgados. A apuração segue em sigilo.
Com informações de Gazeta do Povo