São Paulo, 12 de abril de 2026 – A mineira Luana Lopes Lara, 29 anos, a mais jovem bilionária self-made do mundo, pretende trazer ao país o chamado mercado de previsões por meio da sua plataforma Kalshi. O plano, entretanto, esbarra em incertezas regulatórias e na resistência de casas de apostas já instaladas no Brasil.
Como funciona a Kalshi
A empresa, avaliada em bilhões de dólares nos Estados Unidos, permite negociar contratos “sim ou não” sobre a ocorrência de eventos futuros – de resultados eleitorais a indicadores econômicos. Cada contrato custa entre US$ 0,01 e US$ 0,99 e o preço reflete a probabilidade atribuída pelo mercado. Caso o evento se confirme, o contrato passa a valer US$ 1; se não acontecer, cai a zero. Os usuários podem vender a posição antes do vencimento, replicando a lógica de compra e venda típica do mercado financeiro.
Para a estreia no Brasil, a Kalshi firmou parceria com a XP Investimentos e pretende lançar contratos vinculados a inflação, juros e desempenho do Ibovespa.
Disputa com o setor de apostas
Operadoras de apostas esportivas – obrigadas a pagar cerca de R$ 30 milhões por licença – pediram ao Ministério da Fazenda que bloqueie plataformas como Kalshi e Polymarket, alegando concorrência desleal. Elas argumentam que os mercados de previsão funcionariam, na prática, como apostas sem cumprir as mesmas exigências legais.
Vácuo regulatório
A Lei 14.790/2023 regulamenta apenas apostas esportivas de quota fixa, não abrangendo contratos baseados em eventos diversos. Especialistas, como o advogado Conrado Gama Monteiro, defendem que o produto seja enquadrado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) como derivativo, e não tratado como jogo.
Monteiro observa que manipular preços seria difícil, pois exigiria assumir posições acima da probabilidade real e encontrar contraparte disposta a aceitar o risco. Mesmo assim, ele considera inviável a operação no país sem regra específica.
Sinais vindos dos EUA
Nos Estados Unidos, o setor aguarda novas normas da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC). A autarquia indicou endurecimento das regras após suspender propostas mais permissivas. Kalshi e Polymarket enfrentam processos em Nevada e Massachusetts, e senadores pressionam por proibição total de contratos ligados a esportes e política.
O que diz o governo brasileiro
A Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) confirmou que analisa o tema internamente e que não há, até o momento, empresas autorizadas a atuar no segmento de mercados preditivos. Segundo a pasta, as discussões ocorrem em conjunto com a CVM para evitar lacunas regulatórias.
Enquanto isso, a Kalshi coloca o Brasil como principal aposta fora dos EUA e mira crescimento acelerado, sustentado pela popularidade das apostas online no país.
Com informações de Gazeta do Povo