O fechamento de agências físicas e a popularização do Pix levaram a geração 60+ a adotar celulares e aplicativos para administrar as finanças. Levantamento da Serasa mostra que quase 80% dos brasileiros acima dos 60 anos já utilizam apps bancários, transformando em poucos anos o comportamento de quem cresceu num ambiente totalmente analógico.
A mudança ganhou força a partir de 2020, quando instituições financeiras reduziram postos de atendimento presencial. Com menos balcões disponíveis, idosos passaram a realizar pagamentos, transferências e investimentos direto na tela do smartphone, muitas vezes com o apoio de filhos e netos.
Casos que ilustram a virada digital
Aos 79 anos, o engenheiro aposentado Paulo Godoy trocou cheques e filas por operações via aplicativo. Segundo ele, processos que o filho executa em cinco minutos podem levar “duas horas”, mas a praticidade compensa: boletos, renda fixa e ações já são gerenciados pelo celular. “O Pix foi uma salvação”, diz, lembrando o tempo de compensação de cheques.
O servidor federal aposentado Eurides de Oliveira, 83, também aderiu ao mobile banking. Graças à orientação dos filhos, um deles ligado à computação, faz transferências e pagamentos pelo telefone, embora mantenha amizade de mais de 30 anos com o gerente do Banco do Brasil. A principal preocupação, afirma, são golpes virtuais: “Se desconfio, nem clico”.
Para Waldemar Santos Guimarães, 81, ex-engenheiro de recursos hídricos, entrar no universo digital foi continuação natural de uma carreira cercada por inovações tecnológicas. Hoje, quase não visita agências, mas ainda valoriza conversar pessoalmente com o gerente quando precisa esclarecer operações.
Medo de fraudes ainda é obstáculo
O receio de golpes permanece alto. Pesquisa da Silverguard indica que idosos registram as maiores perdas médias em fraudes online no país, ultrapassando R$ 4,8 mil por vítima. Especialistas apontam que criminosos veem nesse público um alvo: patrimônio acumulado, confiança em ligações telefônicas e avanço de tecnologias que imitam vozes e rostos aumentam a vulnerabilidade.
Apesar dos riscos, a adesão prossegue impulsionada pela conveniência e pela redução de opções presenciais. “Quem não se atualiza fica para trás”, resume Guimarães, sintetizando o sentimento de uma geração que precisou trocar talões de cheque por QR codes em menos de uma década.
Com informações de Gazeta do Povo