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Governo Lula enfrenta impasse interno e adia votação da lei que regula trabalho em aplicativos

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Uma disputa dentro do Palácio do Planalto suspendeu, nesta semana, a votação do projeto de lei que pretende regulamentar motoristas e entregadores de aplicativos. O texto, relatado pelo deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE), sofreu alterações de última hora que desagradaram parte da equipe do presidente Lula e acenderam o alerta para o possível aumento de até 30% no preço das corridas.

O que mudou no projeto

A versão anterior previa taxa mínima de R$ 10 por viagem, proposta defendida pelo ministro Guilherme Boulos (Direitos Humanos). O dispositivo foi retirado. No lugar, o relator ofereceu duas opções de pagamento:

  • Remuneração básica de R$ 8,50 por corrida;
  • Valor por hora trabalhada, calculado a partir de dois salários mínimos.

Garantias mantidas aos trabalhadores

Mesmo sem vínculo empregatício em carteira, o texto preserva a autonomia dos prestadores e inclui benefícios como:

  • auxílio do INSS em caso de doença ou acidente;
  • seguro de vida de R$ 120 mil;
  • licença-maternidade;
  • proibição de punição a quem recusar corridas.

Divisão no governo

Boulos considera as mudanças um “retrocesso”. Já a Secretaria de Comunicação teme desgaste com motoristas e entregadores, categoria que, segundo auxiliares, já demonstra resistência ao governo. O encarecimento do serviço é visto dentro do Planalto como risco de uma nova “taxa das blusinhas”, capaz de gerar forte impopularidade.

Posição das plataformas

Uber, 99, iFood e demais empresas preferem a aprovação rápida de uma lei federal, mesmo criticando pisos salariais. As companhias argumentam que a medida traria segurança jurídica e afastaria o risco de decisões no Supremo Tribunal Federal que poderiam impor vínculo empregatício – cenário considerado mais oneroso.

Disputa sobre taxas e repasses

O projeto limita a comissão das plataformas a 30% do valor da corrida. As empresas dizem que o percentual compromete a operação. Movimentos de trabalhadores, que planejam paralisações, defendem teto de 20% e remuneração maior por quilômetro rodado.

Com o recuo, líderes partidários avaliam um novo calendário de discussões antes de levar o texto ao plenário da Câmara.

Com informações de Gazeta do Povo