Brasília, 30 de abril de 2026 – A tensão militar entre Irã e Israel, que impulsionou a cotação internacional do petróleo, proporcionou um fôlego temporário ao caixa federal brasileiro em 2026. O aumento da arrecadação com royalties e tributos, somado à inflação mais alta, reduziu momentaneamente o déficit primário, mas especialistas consideram o efeito passageiro e alertam para uma deterioração mais forte a partir de 2027.
Arrecadação cresce com petróleo e inflação
Quando a cotação do barril sobe, a União recebe valores maiores em royalties e participação especial, além de recolher mais impostos atrelados ao preço do combustível. A inflação pressionada pelo encarecimento de transportes também eleva, no curto prazo, a receita de tributos sobre consumo, dando a impressão de melhora nas contas públicas.
Subsídios e novos tributos para conter combustíveis
Para evitar repasse integral da alta nas bombas, o governo instituiu subsídios ao diesel e ao gás de cozinha. O custo é financiado por um imposto provisório de 12% sobre a exportação de petróleo bruto e pelo aumento do imposto sobre cigarros. Essas medidas, no entanto, são contestadas na Justiça; uma derrota pode abrir um buraco adicional de até R$ 16 bilhões ainda em 2026.
Risco de “ilusão fiscal”
Economistas classificam o ganho de receita como artificial, pois depende de um choque externo e não de ajustes estruturais. Caso o conflito arrefeça e o preço do petróleo recue, a arrecadação extra tende a desaparecer rapidamente, expondo o desequilíbrio entre despesas obrigatórias e receitas permanentes.
Efeito catraca pressiona 2027
A alta inflação de 2026 servirá de base para o reajuste do salário mínimo em 2027. Como benefícios como aposentadorias e BPC são vinculados ao mínimo, a despesa obrigatória avançará, enquanto a arrecadação turbinada pelo petróleo pode já ter se dissipado.
Selic pode permanecer elevada
Para conter a propagação da inflação gerada pelo encarecimento de combustíveis, o Banco Central sinaliza manter a taxa Selic em patamar elevado por mais tempo. Juros altos tendem a frear investimentos privados e podem elevar o desemprego, aumentando gastos com seguro-desemprego no próximo ano.
Com a fatura do ajuste fiscal adiada, analistas apontam que o governo eleito em 2026 herdará desafios maiores para equilibrar as contas públicas.
Com informações de Gazeta do Povo