Em pleno 2026, empreender no Brasil continua sendo um desafio: seis em cada dez negócios encerram as atividades antes de completar cinco anos. O dado, levantado pela equipe da Gazeta do Povo Lab, aponta a combinação de burocracia, impostos elevados e insegurança jurídica como principais vilões da sobrevivência empresarial.
‘Custo Brasil’ consome tempo e dinheiro
O chamado custo Brasil se destaca como obstáculo número um para quem decide abrir uma empresa. Enquanto empreendedores de economias avançadas gastam cerca de 200 horas por ano para lidar com tributos, o empresário brasileiro precisa de mais de 1.500 horas para cumprir obrigações fiscais.
Além do tempo gasto, a instabilidade do sistema é outro problema. Mais de duas novas normas tributárias são publicadas a cada hora útil, criando um labirinto de regras que leva muitos negócios a recolherem impostos a mais sem perceber. Erros para menos geram multas pesadas, e, se o pagamento for superior ao devido, raramente há notificação do governo para devolução.
Sonho de empreender resiste
Apesar das dificuldades, o desejo de ter o próprio negócio não esmorece. Em 2025, o Brasil registrou recorde de 5,1 milhões de novas micro e pequenas empresas. O número reflete a resiliência do empreendedor brasileiro, que coloca a abertura de um negócio próprio como o segundo maior sonho nacional, atrás apenas da casa própria.
Papel decisivo das pequenas empresas
As pequenas empresas representam 95% do total de empreendimentos no país, respondem por mais de um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) e garantem metade dos empregos formais. Todos os meses, esse segmento injeta bilhões de reais na economia por meio do pagamento de salários.
Planejamento determina quem fica e quem sai
Para cruzar a linha dos cinco anos, planejamento é decisivo. Pesquisas de mercado detalhadas, controle diário de custos, digitalização de processos, uso criterioso do capital de giro e rápida adaptação às demandas do consumidor aparecem como fatores comuns às empresas que se mantêm ativas.
Sem enfrentar esses gargalos estruturais, o Brasil segue vendo uma parcela significativa de seus empreendimentos fechar as portas precocemente, desperdiçando potencial de crescimento econômico e geração de empregos.
Com informações de Gazeta do Povo