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Bônus a servidores provoca onda de indeferimentos e derruba fila do INSS

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O governo federal anunciou que a fila de requerimentos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) recuou para 2,7 milhões de pedidos em março de 2026, o menor patamar desde 2023. Especialistas, porém, atribuem a redução a uma estratégia de negações em massa, estimulada por um sistema de bonificação pago aos servidores que analisam processos além da jornada regular.

Como funciona o incentivo

Por meio do Programa de Gestão de Benefícios, técnicos do INSS recebem cerca de R$ 68 por cada processo extra concluído. Advogados previdenciários explicam que, para alcançar a meta rapidamente, muitos servidores optam por indeferir o pedido em vez de abrir uma “exigência” — procedimento que solicita documentos adicionais ao segurado e exige análise mais detalhada.

Efeito gangorra nos recursos

Quando um benefício é negado de forma prematura, o segurado costuma apresentar recurso administrativo ou ingressar com nova solicitação. Esse movimento tira o processo da fila principal e o desloca para o Conselho de Recursos do Seguro Social ou para o Judiciário, fenômeno batizado por especialistas de “efeito gangorra”.

Judicialização sai mais cara

Dados citados por advogados indicam que um processo judicial pode custar até quatro vezes mais aos cofres públicos do que uma análise administrativa completa. Além da despesa, a judicialização mobiliza juízes, promotores e defensores públicos, ampliando a sobrecarga do sistema.

Propostas de longo prazo

Para reduzir a dependência de mutirões e bônus, especialistas defendem a recomposição do quadro de pessoal do INSS — que encolheu cerca de 40% nos últimos anos — e investimento robusto em tecnologia. A aposta é na integração de bancos de dados e em soluções de inteligência artificial para identificar automaticamente direitos previdenciários, diminuindo a necessidade de análises manuais sujeitas a erro.

Com informações de Gazeta do Povo