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Flávio Dino autoriza PF a investigar financiamento estrangeiro na campanha de Flávio Bolsonaro

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O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), anunciou nesta terça-feira, 27, a abertura de um inquérito pela Polícia Federal (PF) para investigar indícios de financiamento estrangeiro na campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A investigação também se concentra em possíveis interferências de empresas de tecnologia nas eleições de 2026.

A decisão foi tomada no contexto da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1.178, inicialmente apresentada pelo Instituto Brasileiro de Mineração. Dino determinou que a investigação siga em um procedimento separado, sob supervisão do STF, devido à possível implicação de membros do Congresso Nacional.

A PF terá a tarefa de identificar a origem e o destino de recursos estrangeiros, além de investigar eventuais mecanismos para ocultação de valores. O objetivo é verificar se houve financiamento direto ou indireto de atividades eleitorais por pessoas ou organizações de fora do Brasil.

Entre os focos da apuração estão as interações da organização norte-americana Rockbridge Network com os empresários Tallis Gomes e Pedro Sang, que teriam discutido a captação de recursos para a candidatura de Flávio. Dino requisitou que a PF esclareça a natureza desses contatos e verifique se houve fornecimento de dinheiro ou serviços à campanha.

A investigação também examinará a divulgação de conteúdos eleitorais por perfis estrangeiros, especialmente aqueles que promoviam a plataforma de previsões Polymarket, que apresentava cenários favoráveis a Flávio Bolsonaro. Dino ordenou que a PF identifique quem financiou essas publicações e se houve participação consciente de brasileiros.

Além disso, o ministro incluirá na investigação possíveis manipulações de algoritmos por empresas de internet para favorecer ou prejudicar candidaturas. Ele citou relatos de restrições à campanha de Lula impostas pela Meta e questionamentos sobre a promoção de conteúdos que beneficiavam Flávio Bolsonaro.

A investigação também buscará verificar se houve alguma relação entre a captação de recursos para financiamento político e interesses econômicos estrangeiros na exploração de terras raras e outros minerais críticos do Brasil.

Dino rejeitou um pedido do Partido dos Trabalhadores (PT) para que a legenda atuasse como amicus curiae na ADPF 1.178, argumentando que as questões eleitorais devem ser tratadas em procedimentos específicos.

O ministro destacou que a Constituição e a legislação eleitoral proíbem o recebimento de recursos estrangeiros por partidos e candidatos, mesmo que de forma indireta. A PF deverá informar ao STF o número do inquérito instaurado e comunicar a decisão a diversas instituições, incluindo o Ministério da Justiça e a Receita Federal.

Fonte: Revista Oeste.