A menos de uma semana do primeiro turno das eleições de 2026, a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) tem gerado um efeito paralisante nas investigações de corrupção relacionadas ao caso do Banco Master. Com 47% da população brasileira avaliando a atuação do STF como ruim ou péssima, segundo o Datafolha, a situação se agrava.
A Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras e relações entre Daniel Vorcaro e autoridades públicas, não teve novos desdobramentos desde a décima fase, realizada em 9 de julho. Desde então, a Polícia Federal (PF) suspendeu o envio de novos pedidos de operação, o que retarda a coleta de novos dados e evidências.
Um fator que contribui para essa estagnação é a decisão do presidente do STF, Edson Fachin, que determinou que o ministro André Mendonça remetesse os casos Master e INSS para sua análise. Isso resultou em um acúmulo de etapas investigativas que podem ser adiadas até após o primeiro turno.
No Senado, o ministro Cristiano Zanin negou um pedido para obrigar o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, a avançar na instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o Banco Master. Apesar de ter recebido 41 assinaturas, o requerimento permanece parado há quase seis meses. Zanin, no entanto, não encerrou a discussão, pedindo informações adicionais antes de uma nova análise.
A incerteza se estende dentro do próprio STF, onde Fachin assumiu a condução das investigações relacionadas a ministros. As petições que discutem a corrupção de Alexandre de Moraes por Vorcaro e a investigação de Mendonça estão sob análise, mas a decisão sobre o futuro dessas investigações deve ocorrer somente após as eleições.
Além disso, a PF adiou depoimentos de Vorcaro, previstos para os dias 24 e 30 de setembro, a pedido da defesa, que alega não ter tido acesso total aos documentos da investigação. A nova data para os depoimentos deverá ultrapassar o primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
No que diz respeito a informações já disponíveis, o STF liberou cerca de 25,3 GB de documentos relacionados ao caso Master, embora 160 documentos ainda permaneçam sob sigilo. Essa quantidade de dados poderia gerar novas apurações, mas a falta de movimentação nas investigações continua a ser um entrave significativo.
Por fim, Fachin solicitou um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre os pedidos pendentes relacionados às investigações, que deverá ser analisado antes de novas decisões serem tomadas.
Fonte: Gazeta Do Povo.









