O volume de apostas durante a Copa do Mundo fez disparar os pedidos de bloqueio voluntário de contas em plataformas online no Brasil. Dados da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda mostram que, entre 15 e 28 de junho, foram registrados 250.129 pedidos de autoexclusão ou prorrogação de bloqueios, salto de 588% em relação ao período de 11 a 25 de maio, quando houve 38.907 solicitações.
A média diária também mudou de patamar: passou de 2.594 para 17.866 solicitações. Mesmo com um dia a menos no recorte analisado durante o torneio, houve 211.222 pedidos adicionais de exclusão.
O que é a autoexclusão
O recurso impede que o usuário utilize seu CPF para apostar em qualquer casa autorizada pelo governo federal. A plataforma centralizada foi aberta em dezembro de 2025 e permite o bloqueio simultâneo em todas as empresas reguladas, sem necessidade de contato individual.
Motivos informados pelos usuários
Antes da Copa, a principal justificativa era a perda de controle sobre o jogo (43,56%). Durante o campeonato, a preocupação com o uso indevido de dados pessoais se tornou o motivo mais citado, respondendo por 29,5% dos registros. Veja a comparação:
Período anterior (11 a 25 de maio)
- Perda de controle sobre o jogo: 43,56%
- Motivo não informado: 16,10%
- Dificuldades financeiras: 14,07%
- Decisão voluntária: 12,68%
- Prevenção contra uso de dados: 12,08%
- Recomendação médica: 1,52%
Durante a Copa (15 a 28 de junho)
- Prevenção contra uso de dados: 29,50%
- Perda de controle sobre o jogo: 24,13%
- Decisão voluntária: 18,93%
- Motivo não informado: 15,31%
- Dificuldades financeiras: 10,91%
- Recomendação médica: 1,22%
Bloqueios sem prazo definido crescem
O levantamento aponta ainda que cresceu a preferência por exclusões permanentes: 62,13% dos usuários pediam bloqueio por tempo indeterminado antes do torneio; durante a Copa, o índice subiu para 63,53%.
A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) atribuem o aumento não apenas ao crescimento do interesse por apostas no período, mas também à maior divulgação da ferramenta e às campanhas de jogo responsável.
Com informações de Gazeta do Povo