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Condado de Mayo encerra “maldição” de 75 anos e ergue a Copa Sam Maguire

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O Condado de Mayo quebrou um jejum de 75 anos no último fim de semana ao derrotar o favorito Condado de Kerry e conquistar a Copa Sam Maguire, título máximo do futebol gaélico irlandês, em final disputada no estádio Croke Park, em Dublin.

Desde 1951, torcedores atribuíam a seca a uma suposta maldição lançada por um padre irritado depois que a equipe campeã daquele ano teria interrompido um cortejo fúnebre durante as comemorações. Segundo a lenda, o sacerdote decretou que Mayo não voltaria a vencer o All Ireland enquanto houvesse sobreviventes do elenco de 1951. Os dois últimos jogadores daquele time, Paddy Prendergast e Mick Loftus, morreram em 2021 e 2023, respectivamente.

A decisão deste ano ocorreu no Reek Sunday, dia de peregrinação em que milhares de fiéis escalam o monte sagrado Croagh Patrick, no próprio Condado de Mayo. Na entrega do troféu ao capitão Jack Coyne, o presidente da Gaelic Athletic Association (GAA), Jarlath Burns, citou Nossa Senhora de Knock, reforçando o simbolismo religioso da conquista.

A vitória rendeu felicitações de vários países. O ex-presidente dos Estados Unidos Joe Biden, descendente de irlandeses de Mayo, publicou nas redes sociais: “Hoje, o sonho se torna realidade. Parabéns aos meus amigos em Mayo. Sam está voltando para casa”.

Embora a atenção esportiva global esteja voltada para a Copa do Mundo da FIFA, julho é tradicionalmente dominado na Irlanda pelas finais de futebol gaélico e hurling da GAA, que lotam o Croke Park com 82 mil torcedores. Fundada em 1884, a associação é considerada a maior organização esportiva amadora do mundo.

A ligação entre a GAA e a Igreja Católica remonta ao seu início. O estádio Croke Park leva o nome do arcebispo Thomas William Croke, patrono fundador da entidade, e já sediou eventos como o Congresso Eucarístico Mundial de 1932 e o Encontro Mundial das Famílias de 2018. Treinador tricampeão pelo Condado de Tyrone, Mickey Harte lembra que, por décadas, “a vida paroquial girava em torno da fé católica e da GAA”.

Padre Derek Ryan, redentorista e árbitro da GAA, reconhece um enfraquecimento desse vínculo, mas ressalta a capacidade dos clubes de oferecer suporte comunitário, especialmente entre a diáspora. “Sem esses clubes, nossas comunidades espalhadas pelo mundo estariam muito menos amparadas”, afirmou.

Com a taça de volta a Castlebar, capital de Mayo, os torcedores comemoram o fim de uma espera que atravessou gerações e reforçam a tradição que faz do futebol gaélico muito mais que um esporte na Irlanda.

Com informações de Gazeta do Povo