O ministro do STF, Flávio Dino, declara que “suporta em silêncio agressões e injustiças”, afirmando que observa “distorções monumentais em relação a fatos” e acompanha “perplexo a divulgação de interpretações absurdas” que envolvem seu nome e de sua família no polêmico uso de um veículo oficial blindado do Tribunal de Justiça do Maranhão.
Entretanto, não seria necessário muito esforço para responder a uma questão simples levantada por um blogueiro do Maranhão, que foi alvo da Polícia Federal por expor privilégios ilegais concedidos a Dino e seus familiares: qual é a justificativa legal para que os parentes de Flávio Dino utilizem diariamente o carro de luxo blindado adquirido e mantido com recursos públicos?
Em vez de fornecer esclarecimentos, a resposta institucional foi direcionada à perseguição do jornalista que trouxe à tona a denúncia, além da quebra do sigilo de sua fonte. Essa ação gerou protestos de importantes entidades de imprensa no Brasil e até da Sociedade Interamericana de Imprensa, que classificou a atitude como “uma grave ameaça” à liberdade de imprensa.
A denúncia, feita em novembro de 2025, indica que uma Toyota SW4 preta blindada do TJ-MA está sob a posse da família de Dino em São Luís. Diversos pedidos formais de informação encaminhados ao ministro e à presidência do tribunal não obtiveram resposta. O que se tornou público foi a ação da Polícia Federal, ordenada por Alexandre de Moraes, para identificar a fonte da reportagem. Essa ação representa uma violação ao Artigo 5º, inciso XIV, da Constituição, que assegura o sigilo da fonte jornalística e o direito à informação.
A portaria do TJ-MA que regulamenta o uso de veículos oficiais para a segurança de autoridades judiciais é clara ao estabelecer que esses veículos são destinados exclusivamente ao serviço público, proibindo o transporte de pessoas não ligadas aos serviços judiciários, incluindo familiares. Não existe nenhum ato formal que valide a cessão do veículo à família do ministro, e nenhuma autoridade desmentiu a reportagem.
Alexandre de Moraes, que se sente incomodado por informações que chegaram à imprensa sobre um contrato de 129 milhões de reais firmado por sua esposa com o Banco Master, incluiu o caso no inquérito das fake news, considerando a investigação como uma forma de perseguição e ordenou buscas na residência do jornalista Luiz Pablo. Durante a apreensão dos equipamentos, a Polícia Federal conseguiu identificar a fonte: um ex-secretário de Segurança do Maranhão.
Dino e Moraes parecem atuar em conjunto na estratégia de ignorar questões relevantes. Dino mencionou estar passando por um abalo psicológico e alegou que suporta calados as injustiças. No entanto, em suas declarações, tanto orais quanto escritas, ele evitou abordar a questão do carro e alegou que sua função como juiz o impede de participar de debates públicos.
Permanece o silêncio em relação à pergunta central: com base em qual justificativa o veículo oficial foi disponibilizado à sua família? Tanto Dino quanto Moraes estão adotando uma postura de desconsiderar as perguntas essenciais do debate. Assim como Moraes não fornece explicações sobre o contrato de 129 milhões, Dino também ignora a questão do carro blindado que está sob a posse de sua própria família. Carro blindado, contrato blindado, ministros em autodefesa. Dino afirmou que acompanha “perplexo” as interpretações absurdas, mas, na verdade, são os brasileiros que se sentem perplexos diante de tais ações.









