O fluxo de brasileiros em busca de residência no Paraguai disparou e vem transformando o setor imobiliário local, sobretudo no segmento de alto padrão. Somente entre janeiro e março de 2026, a Direção Nacional de Migrações recebeu 9.125 solicitações de residência de cidadãos do Brasil, volume que correspondeu a 64% dos pedidos apresentados por estrangeiros. Argentinos e alemães aparecem na sequência.
Demanda pressiona incorporadoras
Para atender ao público vindo do lado de cá da fronteira, construtoras paraguaias intensificaram a oferta de condomínios fechados, bairros planejados e apartamentos de luxo em Assunção e arredores. É o caso da Raíces Real Estate, cujo presidente, Ernesto Figueredo, relata mudança rápida no perfil dos compradores: em 2023, 90% dos clientes eram paraguaios; no ano passado, metade das unidades ficou com brasileiros. Hoje, entre os estrangeiros atendidos pela empresa, 70% têm passaporte verde-amarelo.
Um dos empreendimentos voltados a esse público é o Aquaterra, lançado em 2023 na cidade de Luque, próxima ao aeroporto da capital. O projeto ocupa 47 hectares, oferece 437 lotes e inclui áreas de esporte, lazer, comércio e escritórios, num formato familiar aos compradores que já conhecem condomínios como Alphaville no Brasil.
Crescimento acima da média
Dados da Câmara Paraguaia de Desenvolvedores Imobiliários (Capadei) indicam expansão média anual de 8% no mercado desde 2015, com investimento privado superior a US$ 2 bilhões. Em 2024, o salto foi maior, de 15%, e a estimativa preliminar para 2025 aponta avanço de 30%. A construção civil já responde por cerca de 12% do Produto Interno Bruto do país.
Preços competitivos atraem investidores
O valor do metro quadrado em bairros nobres de Assunção, como Villa Morra, Recoleta e Carmelitas, varia de US$ 1,5 mil a US$ 2,5 mil. Em Encarnación, destino turístico às margens do rio Paraná, cai para aproximadamente US$ 800, enquanto em Ciudad del Este oscila entre US$ 900 e US$ 1,4 mil. Segundo Figueredo, esses preços, aliados à possibilidade de financiamento direto com as incorporadoras, funcionam como forte chamariz para quem considera investir fora do Brasil.
Empresas brasileiras cruzam a fronteira
Não são apenas compradores que atravessam o Rio Paraná. Redes imobiliárias do Brasil também enxergam oportunidade no mercado paraguaio. A Apolar Franquias, sediada no Paraná, destinou mais de R$ 1,5 milhão em 2024 para levar a marca ao exterior e abriu cinco lojas em cidades como Assunção, Ciudad del Este, San Lorenzo, Luque e Encarnación.
De acordo com João Ricardo Geron, diretor da operação no Paraguai, a combinação entre crescimento urbano, estabilidade econômica e retorno financeiro explica a movimentação. Em lançamentos vendidos ainda na planta, ele observa potencial de valorização superior a 20% até a entrega, dependendo da localização e das características do projeto.
Com a expectativa de que até 80 mil novos títulos de residência sejam concedidos neste ano, o mercado aposta que a presença brasileira continuará a impulsionar obras e investimentos no país vizinho.
Com informações de Gazeta do Povo