Washington e Teerã voltaram a trocar ataques contra alvos civis e militares nesta sexta-feira (17), ampliando o temor de uma guerra em larga escala no Oriente Médio.
De acordo com o Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos (Centcom), aeronaves americanas bombardearam cinco pontes e um aeroporto no sul do Irã. A ofensiva foi descrita como ação para “degradar capacidades logísticas militares” iranianas.
Autoridades de Teerã relataram que o ataque inicial, contra uma ponte na província de Hormozgán, deixou pelo menos oito mortos, número divulgado pela agência estatal IRNA. Vídeos verificados pela Reuters mostram escombros, grades retorcidas e um veículo destruído na estrutura atingida em Bandar Khamir. Pelo menos sete pessoas teriam morrido apenas nos ataques a pontes nesse porto, enquanto o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, afirmou que três moradores locais morreram ao tentar atravessar a estrutura destruída.
Um aeroporto em Iranshahr, na província que faz fronteira com o Paquistão, também foi bombardeado, segundo meios iranianos. Explosões adicionais foram ouvidas em Sirik, Ahvaz e Yazd.
Resposta iraniana
Horas depois, Teerã contra-atacou atingindo uma usina de energia e dessalinização no Kuwait, informaram agências internacionais. O Irã não detalhou vítimas, mas classificou a ação como retaliação direta aos bombardeios norte-americanos.
Mohsen Rezaei, conselheiro do líder supremo Ali Khamenei e ex-comandante da Guarda Revolucionária, advertiu que “se os ataques dos EUA continuarem por mais alguns dias, passaremos para uma fase de operações ofensivas em grande escala”.
Tensão política e mercado de petróleo
O recrudescimento dos confrontos fez o preço do Brent subir 3%, consolidando a terceira alta semanal consecutiva. A pressão nos mercados de energia ocorre a menos de quatro meses das eleições legislativas nos Estados Unidos, contexto que levou o presidente Donald Trump a ameaçar “ataques aéreos generalizados” e a não descartar uma ofensiva terrestre contra a costa ou ilhas iranianas.
Preocupação internacional
O secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou “profunda preocupação” com a escalada e condenou especificamente os bombardeios a infraestrutura civil em toda a região.
Com informações de Gazeta do Povo