No último domingo (16), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) estava sob prisão domiciliar em Brasília e não pôde comparecer ao evento de lançamento da campanha de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL), que almeja a Presidência da República em 2026, realizado em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. Apesar de sua ausência, sua figura foi constantemente lembrada e enaltecida ao longo do evento.
Os discursos dos candidatos estavam impregnados de um tom emocionado, lamentando a falta de Jair, especialmente quando Flávio fez uma pausa para que um trecho de um discurso de seu pai, no qual ele exalta o Brasil e a família, fosse reproduzido. A ocasião não atraiu um grande público e não gerou o mesmo entusiasmo que as aparições de Jair costumavam provocar. Flávio, em seu discurso, reconheceu: “É difícil comparar o filho do Pelé com o Pelé”.
O evento ocorreu em um dia nublado e reuniu os principais candidatos do PL no Rio de Janeiro, incluindo Douglas Ruas, que concorre ao governo do estado, sua candidata a vice Fernanda Louback, e os candidatos ao Senado Carlos Portinho e Carlos Jordy, além de vários postulantes a deputado federal e estadual. O candidato a vice na chapa presidencial, Alfredo Gaspar, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordena a campanha de Flávio, também estiveram presentes.
A ausência de Jair Bolsonaro foi um ponto recorrente nos discursos. “Tentaram matar seu pai, separaram sua família”, afirmou Alfredo Gaspar, “mas o Brasil vai levantar a bandeira verde e amarela”, completou. A candidata a deputada federal Alana Passos começou seu discurso dizendo: “Hoje é um dia muito triste para mim, por não ter Jair Bolsonaro disputando essa eleição”. Flávio e os outros candidatos incitaram a plateia a gritar “volta, Bolsonaro”.
Rogéria Bolsonaro, primeira esposa de Jair e mãe de Flávio, também fez uma breve aparição no palanque como candidata a deputada federal no Rio de Janeiro.
O local escolhido para o lançamento da campanha foi estratégico, já que Copacabana foi palco de grandes manifestações de apoio a Jair Bolsonaro, como durante o 7 de setembro de 2022, quando a avenida Atlântica foi tomada por seus apoiadores. O palco foi montado em um trio elétrico na esquina da Atlântica com a rua Bolivar; embora houvesse público em várias direções, o principal se concentrava na rua Xavier da Silveira, com muitos apoiadores entusiasmados.
O evento de domingo marcou o início oficial da campanha presidencial do PL para 2026. Evandro Seixas, um policial militar aposentado de 72 anos, expressou sua insatisfação: “Se tivermos mais quatro anos de governo Lula, o Brasil vai acabar”. Marcos Almeida, comerciante de 32 anos, também fez questão de ressaltar: “Eles precisam voltar, só Bolsonaro consegue consertar esse país”.
Durante o ato, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes foi mencionado e criticado por vários candidatos. Em relação à condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, Flávio defendeu que seu pai “nunca foi uma ameaça à democracia”. No mesmo discurso, ele direcionou críticas a Lula, abordando questões econômicas, de segurança pública e política externa, chamando o atual presidente de “caloteiro da esperança”.
A ausência mais notável foi a do pastor Silas Malafaia, que alegou compromissos anteriores, mas enviou um áudio de apoio a Flávio, que foi reproduzido no evento. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que teve um desentendimento recente com Flávio, também não compareceu e não foi mencionada.
Após o evento, Flávio Bolsonaro aproveitou para assistir ao jogo entre Vasco e Santos no estádio São Januário. Declaradamente torcedor do Vasco, ele estava acompanhado do candidato ao governo do Rio, Douglas Ruas, também vascaíno. Antes do início da partida, Flávio encontrou-se com o presidente do Vasco, Pedrinho, e o jogador Neymar.









