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Abstenção pode superar 30 milhões e impactar eleição entre Lula e Flávio Bolsonaro

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As eleições de 2026 no Brasil podem ser marcadas por uma alta taxa de abstenção, que pode ultrapassar 30 milhões de eleitores, caso os índices sigam o padrão de 2022. Este cenário se torna ainda mais relevante em uma disputa acirrada entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), com o primeiro turno se aproximando, marcado para o próximo domingo (4).

Especialistas consultados apresentam opiniões divergentes sobre como a abstenção pode influenciar o resultado. Murilo Oliveira, cientista político, sugere que uma taxa elevada de abstenção poderia prejudicar Lula, uma vez que seu eleitorado tende a incluir grupos que costumam não comparecer, como idosos e pessoas com menor escolaridade.

Por outro lado, Alessandro Chiarottino, constitucionalista, acredita que a abstenção pode favorecer Lula, pois muitos dos que não votarem podem estar no centro político, onde Flávio Bolsonaro tem apoio. Ele ressalta que o comportamento dos eleitores no dia da eleição será crucial para definir a disputa.

Leandro Gabiati, doutor em Ciência Política, alerta que embora a abstenção possa impactar significativamente uma eleição competitiva, é difícil prever qual candidato seria favorecido, enfatizando a importância do perfil dos eleitores que não comparecerão.

Os analistas concordam que a questão não é apenas a quantidade de eleitores ausentes, mas quem são esses eleitores. Rui São Pedro, também especialista, destaca que se a abstenção for maior entre os menos motivados politicamente, isso pode beneficiar Lula, que tem um eleitorado mais engajado.

A situação se complica ao considerar o perfil demográfico dos eleitores. As eleições de 2026 têm cerca de 158,8 milhões de eleitores registrados. Se a abstenção se mantiver nos níveis de 2022, mais de 30 milhões podem não comparecer, o que seria crítico em uma disputa tão acirrada.

Historicamente, a abstenção tende a ser mais alta entre eleitores de menor renda e escolaridade, homens e pessoas com 60 anos ou mais. Nas últimas eleições, a abstenção foi especialmente elevada nesse último grupo, o que poderia influenciar os resultados.

Portanto, as campanhas eleitorais estão atentas à mobilização de seus eleitores antes da votação, pois pequenas diferenças na participação podem alterar significativamente a composição dos votos válidos. O resultado final pode depender do engajamento dos eleitores que realmente comparecerem às urnas.

Fonte: Gazeta Do Povo.

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